Posts de Maio, 2009

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Notinhas…

Maio 31, 2009

W: Mr. Oliver Stone ficou devendo um pouco de ousadia. Nota 8,o em termos de documentário e nota 6,o em termos de comédia (Bush…). Entendam como quiser…

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Star Trek: Nota 11 em termos história, revival, cast, soundtrack e toda a inteligência por trás dessa “nova geração”. Ah, como não ficar vidrado com a ressurreição de toda uma idéia: De um estilo? Um deleite ver a ressurreição de Spock e Dr. McCoy em grande estilo. O Kirk de Pine não é páreo para susituir o de Shatner, mas o garoto apesar de uma atuação previsível é bom.

Wolverine Origens: Nota 10 em termos de “esqueça o cérebro e curta o filme”, nota 5,0 em roteiro, trilha, edição e todo o resto. Nota 1.000 para a preparação física de Hugh Jackman: deu certo!

Divã: Nota 10 pra um cinema nacional além das futilidades e tosquices! Nota 7,0 para uma inspirada Lilia Cabral e um divertido Cauã Raymond. Nota 11 para Martha Medeiros (mas sou fã, então sou suspeita) e nota 12 para um impagável cabeleireiro, interpretado por um ator que não sei o nome, mas que é ótimo e tem um timming perfeito!

Anjos e Demônios: Nota 9,0 para o novo corte de cabelo de Lagdon. Nota 7,0 para uma direção que prima pelo entretenimento descarado e 0 para a escolha do cast. Dan Brown é gênio e Hanks segura o bonde legal em meio a um Carmelengo sem expressão do inexpressivo McGregor. Pena!

Uma Noite no Museu 2: Nota 4,0 - doída - para um Ben Stiller, que faz de tudo neste filme nota 3,0, exceto divertir. Buemba!

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Traídos pelo Destino (Reservation Road, 2007)

Maio 9, 2009

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Terry George tinha em mãos uma história interessante, ainda que totalmente passional, sobre os valores humanos. Apesar disso, o roteiro perdeu seu brilho em uma direção maniqueísta e apelativa, que encontra em seu excelente cast, a principal razão para não ser esquecido.

O ambiente doméstico é sempre um bom pano de fundo para o cinema abordar tragédias de todo tipo, onde a desestruturação familiar traz à tona assuntos mal resolvidos e também cria outros maiores ainda. “Traídos pelo Destino” usa e abusa dessa fórmula ao contar os desdobramentos da acidental e trágica morte de Josh Leaner (Sean Curley), um garoto de dez anos, na vida de seus pais, o professor Ethan (Joaquin Phoenix) e sua esposa A Grace (Jennifer Connelly). Inconformados com a ação da polícia e sem nenhuma pista do culpado, o casal resolve contratar os serviços de uma firma de advocacia. É lá que o destino cumpre seu papel e acaba colocando-os frente a frente com Dwight Arno (Mark Ruffalo), o motorista culpado pelo acidente que vitimou Josh.

“Traídos pelo Destino” é, sem dúvidas, um filme sensível, ainda que maniqueísta, onde discute as nuances da dualidade humana. De um lado temos Ethan, dolorido pela perda do filho, personifica de forma muito lúcida o desespero dos que não conseguem ir em frente com a vida, após uma grande tragédia. Do outro, somos apresentados a Dwight, um homem dominado pelo remorso, que vive seus dias atormentado pelo arrependimento, pela vergonha e pela dúvida de seus atos. No meio está a personagem Grace, uma mulher machucada que tenta colar os cacos quebrados de sua família e seguir em frente. Enquanto a tragédia se desenrola, a trilha sonora de Mark Isham, fraca e sem surpresas, pontua partes da história, aliada a uma fotografia indefinida.

Escrito a quatro mãos pelo diretor Terry George (duas vezes indicado ao Oscar de Roteiro por Em Nome do Pai e Hotel Ruanda) e John Burnham Schwartz (autor do romance “A Estrada da Reserva”, em que o filme é baseado), a trama levita em três pontos, mas não se fixa em nenhum. Primeiro, tenta se aprofundar em questões jurídicas ao se referir a possíveis soluções para “resolver”, ou achar culpados pela morte do garoto. Depois explora o social, na forma como os envolvidos passam a interagir com a comunidade onde vivem e por último, parte para analisar a intimidade e os dramas particulares de cada um, os demônios que criam para suas vidas e como a partir daí o futuro lhes parece. O problema é que apesar de ter em mãos bons instrumentos de trabalho, George não consegue transferir a responsabilidade central da história para lugar algum. Talvez por isso a trama acaba, aos poucos, tombando para uma reunião de clichês e para um desfecho que se coloca como apoteótico e redentor.

O diretor opta claramente por uma estrutura clássica, bem recortada, onde sobra dramalhão e falta ousadia. Talvez por isso, em vez de chocar ou deixar o espectador em transe, arranca lágrimas e sensações de déjà vu. Senão, vejamos: O objetivo que Leaner traça para si a partir da morte de Josh é egoísta e desequilibrado, onde nada mais tem sentido. A arbitrariedade da sua busca por justiça é obsessiva, levando sua mente a uma jornada emocional que atinge todos à sua volta, inclusive sua filha Emma (Elle Fanning). Esse comportamento é um desafio para sua esposa Grace, que tenta aos poucos realocar a vida em família para a nova realidade. Enquanto isso, Dwight luta com as retaliações que podem acometê-lo ao assumir sua culpa e de como isso pode afetar a sua relação com o filho Lucas (Eddie Alderson). E então? É ou não é uma sensação familiar?

Apesar da excelente introdução, o filme incomoda quando decide mostrar o sofrimento dos núcleos principais da história através de comparações. É totalmente despropositado querer expor contradições que são óbvias para o espectador, através dos maneirismos dos personagens, de seus cotidianos e suas personalidades, ou mesmo abusando de casualidades dentro da trama de uma forma totalmente equivocada. A narrativa é manipulativa – em muitos aspectos, de forma gratuita – quando é notório que não trata-se de uma questão de bem e mal, mas sim de fatalidade e oportunidade. E dessa forma, por vezes apelativa, a história caminha para uma reviravolta que impressiona mais pela sinceridade da atuação do cast, do que pela tentativa velada de perdão que a direção tenta impor.

“Traídos pelo Destino” é o típico filme que encontra nas interpretações uma boa razão para ser lembrado. Joaquin Phoenix vive aqui um de seus melhores desempenhos. O ator soube utilizar sentimentos como raiva, impotência e obsessão de forma honesta e consegue fazer deste, um grande momento da sua promissora carreira. Jennifer Connelly encontra a dose exata de emoção para a sua Grace, manchada apenas pelas falhas da condução narrativa, já que há momentos em que as discussões do casal Leaner soam falsas e desprovidas de qualquer emoção. Realmente irretocável está Mark Rufallo, com um personagem complexo ele faz uma interpretação enérgica e comovente. E enquanto Mira Sorvino (ex-mulher de Dwight) passa incólume durante toda a projeção, Elle Fanning (irmã de Dakota Fanning) ganha pontos em uma atuação equilibrada.

“Traídos pelo Destino” fica aquém do esperado em muitos sentidos. Peca pela falta de sutileza, peca ao utilizar a fórmula mais fácil ao coração do público, peca por parecer salvo na sala de edição, peca por manipular quem o assiste. O filme só ganha vida através dos personagens e mesmo não sendo uma obra-prima, também não é uma produção descartável. Tem seus méritos… E eles são justos!

Nota: 6,0 (Especialmente para o Portal Cinema com Rapadura)

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Minha vida sem mim (My life without me, 2003)

Maio 9, 2009

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Mesmo tratando de um tema pesado, com personagens propositadamente dotados de forte carga dramática, o drama “Minha vida sem mim” é construído de forma moderada e sutil. O roteiro, até então nada especial, ganha contornos mais amplos calcado na sensibilidade das interpretações e no olhar da diretora Isabel Coixet, que leva o espectador a uma jornada de questionamentos em relação à vida e à morte, mas sem ser gratuito.

Num dia você está bem; no outro, recebe a notícia de que sua vida tem dia e hora para acabar. O que fazer então? Essa é a pergunta que Ann (Sarah Polley), uma jovem de 23 anos, faz a si mesma ao descobrir, após um mal-estar, que um câncer no ovário se alastrou para o fígado, lhe dando no máximo três meses de vida. Contrariando o óbvio, ela opta por um caminho pouco convencional: não conta a ninguém sobre sua doença e faz de uma lista, a motivação para aproveitar seus últimos momentos.

Lidar com a possibilidade da morte não é uma coisa fácil, seja na vida real ou no cinema a perda é sempre brutal e dolorosa. Sempre relacionada a algo assustador e soturno, em “Minha vida sem mim”, a diretora Isabel Coixet reveste a morte com uma áurea mais suave e até mesmo romântica, sem esquecer a realidade. Ann ganha a vida como faxineira noturna, mora em um trailer no quintal da casa de sua mãe (Debbie Harry) e vive feliz, apesar das dificuldades, ao lado do marido Don (Scott Speedman) e das duas filhas pequenas. Saber que está prestes a morrer abre para ela uma oportunidade de realizar desejos e sonhos esquecidos, seja por falta de oportunidade ou mesmo, coragem. Entre as suas “coisas para fazer antes de morrer” está dançar na chuva, fazer amor com outro homem que não seja o marido, arrumar uma esposa para ele, ir visitar o pai na prisão, dizer o que pensa e gravar mensagens de aniversário para as filhas. É a partir da realização dessa lista, que ela começa a pontuar como será a vida dela, sem ela.

Aos poucos Ann vai realizando seus objetivos e seguindo com sua rotina. Um dia conhece um homem triste, assim como ela, e com ele descobre a paixão, outro tipo de amor que não tem com o marido. Lee (Mark Ruffalo) é um homem machucado e introspectivo, a imagem do poeta romântico que desiste de viver por causa de uma relação não correspondida. Sua solidão é visível não apenas no aspecto emocional, mas principalmente no plano físico, já que vive em uma casa sem móveis e de paredes descascadas. Em “Minha vida sem mim”, temos a impressão de que todo mundo é triste, já que a felicidade mostrada é sempre como um sentimento de conformismo, de rotina. Não há um só personagem realizado, todos pressupõem uma sina, um desejo incompreendido, um sonho desfeito, uma insatisfação. Nesse ponto é importante pontuar o trabalho da fotografia (Jean-Claude Larrieu) e da direção de arte (Carol Lavallee) na utilização da luz e da cor na construção dos personagens, tudo de forma a dar coesão ao contexto visual.

Ao mesmo tempo em que vive um romance com outro homem, Ann prepara o terreno para que a vida siga bem sem ela, transformando o presente (dando sentido à vida de alguém), preparando o futuro (arrumando a sua família) e remendando o passado (na relação com os pais). É bonito e ao mesmo tempo doloroso ver que suas escolhas provocam transformações não apenas nela, mas em todos à sua volta, sejam imediatas ou não. Mesmo sabendo que não está destinada a grandes coisas, quer deixar sua marca no mundo, nas pessoas, quer ter aquela sensação de que sua vida não foi em vão. Ann é uma moça simples, tolida pela vida, pelas suas escolhas, pela gravidez indesejada, por um casamento precoce, pela perda o convívio do pai (Alfred Molina), pela amargura da mãe, pela ingenuidade dela mesma. E então se dá a mágica da identificação com a trama, por que não dá para ficar indiferente aos paradoxos cruéis da vida.

Coixet trabalha com os arquétipos de forma brilhante, seja na figura da mãe, do pai, do amante Lee, da melhor amiga (Amanda Plummer) e da própria protagonista. Ela é a adolescente resignada, o marido é o ingênuo, o amante significa a fantasia, a mãe é a eterna bruxa má do Oeste. Sara Polley é a espinha dorsal da fita, responsável por seus mais belos momentos e criando um equilíbrio entre a relação com Speedman (excelente) e Ruffalo (soberbo). Como brinde o público ainda recebe a excelente performance da ex-Blondie Deborah Harry como mãe da protagonista, uma mulher amargurada e queixosa, e Alfred Molina, sempre competente com um pai ausente em busca do amor tardio de sua única filha.

Mesmo tratando de um tema pesado, com personagens propositadamente dotados de forte carga dramática, o drama, baseado no conto “Pretending the Bed is a Raft”, de Nancy Kincaidv, é construído de forma moderada e sutil. O roteiro, até então nada especial, ganha contornos mais amplos calcado na sensibilidade das interpretações e no olhar da diretora Isabel Coixet, que levou meses escolhendo e preparando o elenco do filme, e cercando-se de bons profissionais. Apoiada pela produção mais que especial da El Deseo (de Agustín e Pedro Almodóvar) e talvez pela influência do mestre, o filme seja pontuado de belíssimas referências cinematográficas, principalmente na cena em que cenas do filme “Almas em Suplício” (1945) aparecem como pano de fundo de uma discussão entre Ann e sua mãe. Ou ainda a homenagem a “O Pescador de Ilusões” (1940), na seqüência do supermercado, tão bem conduzida ao som da canção “Senza Fine”, de Gino Paoli.

“Minha vida sem mim” é um filme que acorda, que desestabiliza, que nos diz o quanto somos impotentes e um pouco paranóicos com relação a muitas coisas na vida. Desmistifica um pouco a morte e mostra que a vida não precisa ser tão cheia de seriedade ou tão cheia de comédia para ser vivida. O interessante é que todas as reflexões são passadas de forma comovente, às vezes triste, sem lições de moral, sem sermões infinitos, às vezes metaforicamente, outras não. E enquanto a protagonista vai morrendo, ela vai descobrindo a vida, assim como o espectador. Tudo nos leva a uma jornada de questionamentos, a uma revisão de nossas prioridades e a perceber, que mesmo com ou sem a nossa presença, a vida continua.

Nota: 10,0 (Especialmente para o Portal Cinema com Rapadura)