Posts de Abril, 2009

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Nos últimos dias…

Abril 12, 2009

O Casamento de Rachel: Me desculpem os mais afoitos, mas Jonatham Demme desta vez perdeu a mão feio e quase conseguiu fazer um filme insuportável. Saí do cinema mais deprimida do que quando vi Ensaio sobre a Cegueira. Histórias familiares, ao meu ver, são muito difíceis de fazer, é um trabalho árduo conseguir o tom certo sem cair na pieguice, no exagero, no clichê. Aqui há músicas demais, dramas demais e uma grande tragédia, esta aliás, muito profunda pra ser resolvida como foi. Realmente gostei de muito pouca coisa nesse filme, mas uma delas realmente foi a Anne Hathaway. Muito comovente, egoísta e inspirada a sua atuação. Mereceu sua indicação ao Oscar!

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Watchmen: Já me perguntaram o que eu acho desse filme e eu já respondi mil vezes, como total leiga em Watchmens que não gostei muito. Claro que tem coisas muito bacanas, personagens dúbios e uma série de tiradas fantásticas. Visualmente é um desbunde e dá vontade de saber mais sobre toda a saga, mas não dá pra dizer que é uma obra-prima como The Dark Knight ou Iron Man. Sou fã de Synder, respeito seu trabalho mas escalar o Patrick Wilson para o Coruja? Ele é tão looser quando o George Mc Fly de De volta para o futuro e o Ozymandias tem sérias tendências homossexuais… Me senti num filme do Schumaccer…

Velozes e Furiosos: Sempre fui fã de filmes de ação, até mesmo dos mais mentirosos e por isso torcia por essa fraquia desde que vi o primeiro trailler. É um filme puramente e simplesmente visual em todos os aspectos. Claro que não há como passar impune pela trilha sonora, pelos carros, pelos dilemas dos personagens de Diesel e Walker, pela fantástica cena de abertura. Para o que se propões, Velozes e Furiosos ganha nota 10 e vai além!

Por Amor: Adoro filme mulherzinha, adoro filme de amor, comédias românticas, dramas e choro mesmo, mas foi quase impossível aguentar as duas horas pra ver essa bomba. Não sei se eu é que não estava sensível no momento ou é a história mesmo, que é toda amarradinha, mas não me agradou. Pheifer mereceia uma volta melhor e Kutcher um debut mais adequado. Não há a menor credibilidade nas interpretações e é até constrangedor ver bons atores (sim, eles são!) em papéis tão rasos. Claro que essa é uma opinião bem pessoal, personalíssima aliás…

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Reflexos da Inocência (Flashbacks of a Fool, 2008)

Abril 2, 2009

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Se Daniel Craig queria sair do estereótipo “Jamesbondiano”, este ainda não é o filme que lhe garantirá tal feito. Mesmo apresentando uma narrativa redondinha e com bons momentos aqui e acolá, o primeiro longa de Baillie Walsh fica aquém do que poderia ser, embora apresente um personagem honesto, como há tempos não se vê na telona.

“Reflexos da Inocência” (Flashbacks of a Fool, 2008) é um filme de iniciação para seus maiores envolvidos. Este é o primeiro longa de Baillie Walsh, que vem de uma carreira bem sucedida em videoclipes. Para o ator Daniel Craig o filme também tem um gosto novo, já que é o seu primeiro trabalho como produtor. Tratando-se de uma estréia, ambos se saíram bem ao contar uma história que apesar de não ser nenhuma novidade, chama a atenção pela estética cuidadosa, pelas ótimas atuações e pelas referências musicais.

Joe Scott é um astro de Hollywood que há muito não está sob os holofotes. Com uma carreira decadente, amarga fracassos e o esquecimento da mídia. Aos 40 anos, viciado em cocaína e em si mesmo, ele já não é a estrela de outrora. Seus dias resumem-se a sexo, drogas e à companhia de uma empregada, a única que parece ainda lhe dispensar alguma consideração. Ao ser chutado pelo seu agente e ser informado da morte de um de seus melhores amigos é forçado a encarar seu passado, Scott reencontra tudo o que deixou pra trás inclusive um tragédia, responsável por mudar os rumos de sua via naquela época.

O jovem Joe (Harry Éden) vive sua infância e adolescência ao lado de seu melhor amigo (Max Deacon) no litoral da Inglaterra. Inseparáveis, compartilhavam aventuras e sonhos típicos da idade, mas essas cenas servem apenas para fazer o contraponto com o que ele se tornou no futuro e justificar suas ações do passado. É no âmbito familiar que as coisas se desenrolam para o personagem, que, como todo adolescente descobrindo sua própria sexualidade, não consegue dizer não às investidas de uma mulher casada e muito mais velha. Essa relação, proibida e baseada nas necessidades pessoais de cada um, resulta em uma conturbada reviravolta na existência de ambos.

O filme aborda temas tensos que envolvem família, escolhas, auto-destruição, desejo e perdão. Mas apesar disso, ainda acha espaço para fazer uma leitura ao estilo de vida de muitas celebridades da meca cinematográfica, mostrado no estilo de vida de seu personagem principal e na forma como as pessoas o enxergam, comicamente mostrado em uma cena de suposta agressão física à sua empregada. Outro ponto forte é quando, ainda adolescente, Joe e o seu grande amor vestem roupas a lá Ziggy Stardust e dublam “If there’s something” da banda setentista Roxy Music. É “glam” e saudosismo de encher os olhos!
Quantos às interpretações, todos os olhares se voltam a Craig, e essa preferência é justificável. Ele consegue fazer um artista arrogante, egoísta, fútil e detestável, um homem sem motivações, insatisfeito consigo mesmo, e que reflete isso em cada palavra, ação e pensamento. Quando o desfecho do longa se aproxima, o sentimento do público se transforma junto com a mudança que Scott realiza em si, e quem pelo menos conhece um pouco de cinema, sabe que é raro um ator conseguir mudar a opinião do público após construir um perfil de personagem.

O roteiro escrito por Walsh é simples e não se arrisca em auto-piedade excessiva, divagações ininterruptas ou verborragia por parte do elenco principal. É nítida a preocupação do diretor em conduzir a história de uma forma sensível. Muitos momentos emocionam, nos levam ás lágrimas, mas não de uma forma gratuita. A fotografia, de encher os olhos, transita entre cores fortes e suaves, brincando com os contrastes nos momentos de maior impacto, e trabalha bem na edição. Ex-diretor de videoclips, Walsh manteve vivos ainda alguns “vícios”, entre eles o bom gosto para a trilha sonora (Bowie nunca foi tão bem utilizado), apesar de às vezes, pecar pelo excesso.

Honesto e sensível, “Reflexos da Inocência” poderia ir mais além. O desfecho simplista poderia ser mais “des-construído”, talvez mostrando o que Joe conseguiu fazer com essa tal “reflexão” de que trata o título. Sua redenção, ainda que bela, é quase instantânea, o que deprecia um pouco o clímax da história, deixando o público receoso quanto à súbita mudança.

Resumindo, o saldo é que o filme foi feito para mostrar que o ator, que sofre do estigma de ser 007, encontrou aqui um papel que lhe faz jus e mostra que tem talento, muito talento.

* Especial para o Portal Cinema com Rapadura