
Gran Torino
Março 30, 2009
Impossível não se emocionar com o roteiro de Nick Schenk, que privilegia a atuação e a idade de Clint Eastwood de forma soberba. Ranziza até o último fio de cabelo, aqui ele é Walter Kowalski, um veterano de 80 anos, que acaba de perder a mulher e tem que lidar com a violência que tomou cona de seu bairro e principalmente, do seu gramado. Temas como família, perdão, preconceito, família pincelam a trama.
Clint Eastwood tem aqui um personagem que de tão bravo e durão, acaba tornando-se muito querido. Numa mistura de Dirty Harry e Dr House ele desfila por quase duas horas na tela dando lições sobre a família, religião, vida, morte e perdão. O desfecho é de uma sensibilidade e sapiência tocantes, claro, como caminho para a redenção de seu personagem. A construção dos personagens secundários também é muito bem conduzida, não só pelo roteiro, mas pela direção. Apesar de alguns maneirismos, erros aqui e acolá, nada compromete a experiência de ver uma lenda viva, talvez pela última vez, na telona.
Injustamente ignorado no Oscar deste ano, Eastwood fez de seu Gran Torino um debut de despedida à sua altura. Sem estardalhaços, sem fogos de artifícios e com grande dignidade. Diferente de suas últimas direções, ele faz um filmes que utiliza todos os esterótipos que adquiriu em sua longa e icônica carreira e coloca uma certa dose de humor, que faz muito bem à narrativa e ao ritmo do filme: mais uma vez o solitário, o inacessível, o falastrão, o mau-humorado, o valentão. Embora o longa tenha erros que poderiam ser evitados, a concepção de seu personagem é irretocável.
“Os Imperdoáveis” ainda é o seu melhor filme, em minha opinião, mas “Gran Torino” é de uma delicadeza tão grande que pode vir a ser, daqui a algum tempo, item obrigatório na coleção de qualquer cinemaníaco. Por que só o tempo tem o poder de dar aos clássicos a reverência que merecem.