Posts de Março, 2009

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Drama, drama, drama…

Março 31, 2009

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Sabe quando você sai com os amigos para uma noitada descompromissada, de bebdeiras e muita putaria? Assim é “Ele não está tão a fim de você”. Nem mesmo o elenco estelar – Jennifer Aniston, Ben Affleck, Jennifer Connelly, Drew Barrymore (também uma das produtoras executivas) e Scarlett Johansson – consegue fazer com que essa bobabem deixe de se parecer uma bobagem indeed.

Pra ser sincera o filme me irritou um pouco. Confesso que aquele monte de casalzinhos bonitinhos, bem sucedidos, magérrimos não me inspiraram nenhuma seriedade. Nem nas esquetes menores existem protagonistas/personagens pobres, feios, gordos ou burros. E confesso mais: qualquer filme com a Scarlett Johansson me irrita, pq eu e todo mundo sabe que o único motivo para ela estar ali é a comissão de frente e a retaguarda (rs). E realmetne não há nada que odeie mais que a vulgarização da beleza no cinema.

Sei que trata-se de uma comédia romântica mas é tão bobinha e descartável, até mesmo diria, infantil, que nem precisaria ter sido feita. Previsível até o último fio de cabelo “Ele…” conta a história de vários casais e solteiros em busca do amor, mesmo que essa busca seja através de um casamento conivente, de um namoro descompromissado, das mídias digitais ou mesmo pelo olhar megalomaníaco de uma deslumbrada jovem.

Quem não sabia que um casalzinho imaturo ia acabar se divorciando? E aqueles dois? Só podiam acabar sozinhos. E é óbvio que aqueles outros se apaixonariam perdidamente e a solteirona encontraria um companheiro improvável! Ah, faça-me o favor! Não precisaria de uma constelação de atores para essa Sessão da Tarde.

Recuso-me a falar de roteiro, direção, edição… pq não tem nada a ver mesmo. Definitivamente não se fazem mais comédias românticas como antigamente, e isso me irrita. “Ele não está tão a fim de você” até que tenta agradar, algumas piadas legais – que ilustram o trailer – salvam algo apenas simpático. E isso me irrita! Mas a minha irritação de nada adianta pq o longa teve o melhor desempenho nas bilheterias brasileiras no último fim de semana, ficando em primeiro lugar com R$ 1,5 milhão apenas na estréia. Damm!

O filme é raso, surreal em muitos aspectos e babaca, babacão mesmo! Outra coisa: o pôster do filme expõe um monte de rostinhos sorridentes, mas peraí, sorrisos é o que menos existe em “Ele não está a fim de você”. Pronto, falei, viu Bruno? É isso aí! Em se tratando de comédias, ainda sou um bom, ainda que antigo, Woody Allen.

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Gran Torino

Março 30, 2009

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Impossível não se emocionar com o roteiro de Nick Schenk, que privilegia a atuação e a idade de Clint Eastwood de forma soberba. Ranziza até o último fio de cabelo, aqui ele é Walter Kowalski, um veterano de 80 anos, que acaba de perder a mulher e tem que lidar com a violência que tomou cona de seu bairro e principalmente, do seu gramado. Temas como família, perdão, preconceito, família pincelam a trama.

Clint Eastwood tem aqui um personagem que de tão bravo e durão, acaba tornando-se muito querido. Numa mistura de Dirty Harry e Dr House ele desfila por quase duas horas na tela dando lições sobre a família, religião, vida, morte e perdão. O desfecho é de uma sensibilidade e sapiência tocantes, claro, como caminho para a redenção de seu personagem. A construção dos personagens secundários também é muito bem conduzida, não só pelo roteiro, mas pela direção. Apesar de alguns maneirismos, erros aqui e acolá, nada compromete a experiência de ver uma lenda viva, talvez pela última vez, na telona.

Injustamente ignorado no Oscar deste ano, Eastwood fez de seu Gran Torino um debut de despedida à sua altura. Sem estardalhaços, sem fogos de artifícios e com grande dignidade. Diferente de suas últimas direções, ele faz um filmes que utiliza todos os esterótipos que adquiriu em sua longa e icônica carreira e coloca uma certa dose de humor, que faz muito bem à narrativa e ao ritmo do filme: mais uma vez o solitário, o inacessível, o falastrão, o mau-humorado, o valentão. Embora o longa tenha erros que poderiam ser evitados, a concepção de seu personagem é irretocável.

“Os Imperdoáveis” ainda é o seu melhor filme, em minha opinião, mas “Gran Torino” é de uma delicadeza tão grande que pode vir a ser, daqui a algum tempo, item obrigatório na coleção de qualquer cinemaníaco. Por que só o tempo tem o poder de dar aos clássicos a reverência que merecem.

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Alma Perdida: Lamentável!

Março 28, 2009

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Só não me nego a escrever algo sobre esse filme, porque sinto que devo avisar a todos para não verem essa bomba. Não que eu já não soubesse, mas quando não se tem o que fazer em um sábado à tarde, a melhor opção, em vez de passear por vitrines de shopping, é ver até onde pode chegar a falta de criatividade dos roteiristas americanos.

Tenebrso é pouco para definir “Alma Perdida” e tome-se que tenebroso não quer dizer, nesse caso, uma cosia boa. Se você já viu “O Grito”, “Olho do mal” ou o “O Chamado” não precisa gastar seu rico dinheirinho pra ver isso. “Quem já viu um já viu todos”. Nunca essa máxima foi tão bem colocada como para explicar essa película.

Tão óbvio quando uma caixa de bombons garoto, o longa tem uma heroína pra lá de estúpida e chatinha. Já não fosse isso, a falta de originalidade é gritante. O “vilão” é a alma de um garotinho, que não coloca susto em ninguém e ainda se parece muito – e proporitadamente – com o Aidan de “O Chamado”. ah, não pderia esquecer do cachorro meio “satã” que aparece em algumas cenas e dos contorcionismos de pessoas à lá “O Exorcista”.

Sinceramente, a única coisa que faz “Alma Perdida” tolerável é a presença de Gary Oldman. E mesmo assim, não dá pra entender como ele foi parar nessa meleca. Lamentável!

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A Malvada (All about Eve, 1950)

Março 25, 2009

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A ambição sempre se mostrou um tema rico para a literatura, o teatro, e claro, para o cinema. É ela a personagem principal de “A Malvada” (All about Eve), de 1950, motivadora de jogos de interesses, mentiras e traições. Com um elenco afiadíssimo e diálogos memoráveis, Joseph L. Mankiewicz conseguiu fazer filme não apenas irretocável, mas principalmente, memorável: Um clássico em todos os sentidos!

Do que uma pessoa é capaz para atingir seus objetivos? O que ela diria? O que esconderia? Mentiria? Fingiria ser outra pessoa? Para Eve Harrington (Anne Baxter), dona de um rostinho angelical e de uma voz doce, todas as respostas servem. Sonhando com o sucesso nos palcos londrinos a moça simples, de passado obscuro, consegue aproximar-se de seu grande ídolo, a estrela da Broadway Margo Channing (Bette Davis), a fim de atingir seus objetivos, mesmo que para isso tenha que transformar-se em alguém que não é.

Desde o primeiro filme falado do cinema, em 1927, nunca uma história sobre ambição, jogo de interesses, inveja, obsessão e intrigas foi contada de forma tão definitiva. Talvez, o grande trunfo de “A Malvada” seja a sensação de Deja Vú, a de que você conhece ou conheceu alguém como Eve, a sensação de que você conhece essa história e sabe como ela termina. E por falar de temas tão próximos à realidade e às relações sociais que estabelecemos, esse clássico da década de 50 continua tão atual e ainda tão elogiado.

Dissimulada tal qual uma Capitu de Machado de Assis, Eve infiltra-se lentamente, entre sorrisos e gentilezas infindáveis, na intimidade e no dia-a-dia da atriz, compartilhando detalhes íntimos de sua vida e de sua rede de relacionamentos. Aos poucos a mascarada devoção de Eve começa a incomodar Margo, que é incompreendida pelos amigos, dando início a uma sucessão de fatos meticulosamente arquitetados que culminam em sua ascensão meteórica como atriz.

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O drama de 1950 escandaliza ao mostrar a manipulação e o jogo de interesses por trás da fama, sem dar limites à maldade humana. Eve não se importa com nada e nem com ninguém. Seu perfil é um ótimo exemplo da loura má, perigosa, destruidora de relações amorosas, manipuladora e falsa, capaz de tudo para chegar aonde quer, desprovida de caráter e compaixão. É através de seu comportamento inescrupuloso que o roteiro coloca em pauta questões importantes na vida de qualquer ser humano, como as relações sociais, as máscaras que usamos, a busca pelo sucesso, a inveja e o talento para a malícia.

Margo está envelhecendo, perdendo terreno. Eve representa o perigo, o novo e o belo. Margo sabe que deve ser substituída, sabe que assim como é nos palcos é na vida, não ficará no topo para sempre, pois sempre haverá alguém melhor, mais bela e mais esperta. Sua preocupação torna-se então, resistir da melhor forma possível e se retirar dos holofotes com dignidade, abrindo espaço para outras, mesmo que essas outras sejam “Eves”. Desmascarada, a anti-heroína é obrigada a viver prisioneira das mentiras que criou e a encarar uma jovem que, assim como ela, também busca o estrelato. É através da ambição dela que Eve percebe que em breve vai aprender o que Margo já sabe.

Ao dissecar os pecados humanos em tela, tendo como pano de fundo o bastidores “afiados” do show business, o filme de Joseph L. Mankiewicz tem em seus diálogos e na construção de seus personagens seus pontos fortes. Bette Davis soube aproveitar muito bem a fama de má lhe caia à época, fazendo uma Margo temperamental, explosiva e deliciosamente irônica, um estopim de saias. Suas falas e comportamento, sempre debochados e nocivos divertiam e machucavam a todos na mesma proporção. Anne Baxter faz uma Eve à altura: primeiro apresenta-se gentil e inocente, para revelar-se, sorrateiramente, traiçoeira, vil e obstinada, ou seja, uma antagonista perfeita. Para lhe fazer companhia, George Sanders interpreta Addison De Witt, um sedutor e refinado crítico de teatro que acaba sendo tão perigoso quando a própria Eve. Celeste Holm, Hugh Marlowe e Gary Merrill arrematam um elenco fabuloso, que ganha um “plus” com uma participação tímida, ainda que inesquecível, de Marilyn Monroe (em seu sexto filme), como a aspirante Claudia Caswell.

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Joseph L. Mankiewicz, mais conhecido por “Cleópatra” (Cleopatra, 1963) pode ser definido como um diretor sentimental e um roteirista e produtor de mão-cheia. Foi assim que chegou a dirigir 48 filmes e produzir mais de 20 para a MGM e Fox, na época, duas gigantes do cinema americano. Visionário, Mankiewicz supervisionou de perto “A Malvada” (baseado em um caso verídico publicado na revista Cosmopolitan em 1940): cuidou do roteiro, da direção e da escolha do cast. O elenco principal e definitivo, que viria a ajudar o filme a ser um clássico, não era a primeira opção do diretor, que chegou a cogitar nomes como Marlene Dietrich, Claudette Colbert, Ingrid Bergman, Ronald Reagan e Zsa Zsa Gabor.

A narrativa não-linear (em flashbacks), utilizada à exaustão hoje, foi na época uma grande ousadia, que inclusive vinha de Welles em Cidadão Kane. A mão segura de Mankiewicz e sua preocupação em privilegiar as expressões dos personagens, em momentos cruciam da trama, são também pontos de destaque em “A Malvada”. O diretor contou ainda com a ajuda de Alfred Newman, um dos maiores compositores americanos, para compor uma trilha sonora presencial. O ar glamoroso que cerca a vida do show business foi reforçado pelo trabalho cenográfico e pela extrema elegância do figurino de Edith Head, um deleite à parte, e não à toa ganhador do Oscar daquele ano. O longa levou 6 prêmios dos 14 a que concorreu, entre eles o de Melhor Filme, Direção, Roteiro e Ator Coadjuvante para George Sanders.

Com tantos requisitos – e sem exageros – “A Malvada” tornou-se um dos filmes mais inspiradores do cinema. “Tudo sobre minha mãe” (Todo sobre mi madre, 1999) do cineasta Pedro Almodóvar é um bom exemplo do fascínio que o longa de Mankiewicz alcançou. Mesmo após 59 anos o longa continua sendo uma bela referência iconográfica. Tal qual um bom vinho, fica melhor enquanto envelhece: cada vez mais inteligente, irônico e afiado. Para ver, e rever, e rever, e rever e rever…

* Especial para o Portal Cinema com Rapadura

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Dúvida

Março 9, 2009

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Para começar, devo dizer que adoro filmes com desfecho em aberto. Claro, que para isso, o filme em questão deve ser bem construído, co uma narrativa inteligente, e claro, uma boa edição. Esse é o caso de Dúvida (Doubt, 2008) uma adaptação teatral ganhadora do Pulitzer.

Indicada ao Globo de Ouro e ao Oscar deste ano em cinco categorias, o longa trata basicamente de uma batalha pessoal entre a intolerante Irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep) e o moderno Padre Flynn (Philip Seymour Hoffman). Ambos trabalham em uma rígida instituição escolar que recebe pela primeira vez um aluno negro. Após uma pregação a Irmã Aloysius desperta a dúvida no coração de sua congragação e também nos nossos sobre a conduta do pároco. As coisas começam a piorar quando a novata e inexperiente Irmã James (Amy Adams) faz um comentário de um fato sobre o qual não tem certeza.

Em uma cruzada solitária a personagem de Streep atormenta o pároco de todas as formas possíveis. O embate chega em um delicioso e denso diálogo onde confrontado, Padre Flynn acaba por se reirar da instituição. Definitivamente este é um filme sobre intransigência, mas também sobre moral. Não importa quem é o protagonista dessa batalha, se uma religiosa ou eu e você. A reflexão a que a história nos convida é sobre o que vemos e o que achamaos que vemos. Na dúvda: mantenha a boca fechada!

Merecidamente Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman ganharam suas indicações e nehum prêmio. Uma pena. Todos fazem um trabalho belíssimo, mas aqui, quem brilha é Amy Adams e Viola Davis em um roteiro brilhantemente adaptado, como não se vê a tempos! Pena a pouca projeção dada ao longa. Aqui em Salvador, já está a sair de cartaz.

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O Leitor: Superestimado!

Março 7, 2009

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Stephen Daldry é repsonsável por um dos filmes que mais gosto na vida, “As Horas”. Com “O Leitor” ele volta a emocionar, mas de uma forma bem fria. Soou meio antagônico? mas é assim que seu novo trabalho é. Publicado em 1995, o livro homônimo de Bernard Schlinkteve uma hisória de indas e vindas: passou pelo dramaturgo inglês David Hare, Anthony Mighella, Sidney Pollack, até chegar em Daldry.

Embora queira se mostrar sem sentimentalismo gratuito ou mesmo sem se colocar em um pedestal ao abordar, ainda que timidamente o holocausto, “O Leitor” constrói uma linha de roteiro coesa, sem muitos estereótipos enquanto discute as mazelas deixadas a uma geração que embora não tenha vivido ativamente o horror do nazismo, é obrigada a conviver com seu estigma.

Michael Berg (David Kross) é um adolescente de 15 anos que vive na Alemanha pós-guerra e que acaba desenvolvendo uma relação sexual com Hanna Schmitz (Kate Winslet), 20 anos mais velha e aparentemente cheia de segredos. Pincelado por grandes clássicos da literatura o romance dos dois termina de forma abrupta, com o desapareciemnto de Hanna. Somente anos depois, quando estudante de Direito, Berg reencontra-se com sua grande paixão de juventude, ao descobrir seu passado marcado por crimes nazistas.

Muito do sucesso e receptividade do público e crítica em volta do longa se deve às interpretações de Kate Winslet, que vinha de uma campanha fabulosa, e Raph Fiennes, dois queridinhos ingleses e muito elogiodas na meca Hollywoodyana. David Kross, um jovem ator de origem alemã (irõnico??) é um dos grandes destaques da produção ao lado de Winslet, com quem protagonizou as tão famosas cenas de sexo do longa eque não estão retratadas de forma vil. Ao final o público pode perceber como essa relação afetou a ambos de forma drástica.

“O Leitor” é um filme que fala, basicamente, sobre perdão, sobre a alforria de sentimentos. Hanna e Michael são pessoas comuns, a despeito de quaisquer erros do passado e mostram como uma simples palavra pode mudar tudo, assim como o orgulho de Hanna em não admitir suas falhas e o motivo pelo qual é injustiçada no julgamento, o de Michael em reconhecer o quanto essa mulher comum e cheia de falhas foi importante em sua vida. Um belo filme!

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Força Policial. Fraco!

Março 7, 2009

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“Força Policial” é mais um filminho de investigação polical. Muito blá, blá, blá, tiros, confrontos pessoais e familiares chatos e, como não poderia deixar de ser, de uma forma bem insuportável historias e dilemas abordando temas como honra e lealdade. Tudo bem americanizadozinho.

A história, embora não seja nenhuma novidade, até que rende, e poderia render muito mais nas mãos de qualquer outro diretor. Gavin O’Connor vem de produções de tv e filmes inexpressivos. Sua narrativa – medíocre – é chata, chata, chata, deixando o trabalho pesado para o seu bom cast.

Edward Norton, Colin Farrell, Jon Voight e Noah Emmerich fazem atuações bem equilibradas, sem excessos, como homens atormentados por não saber lidar com situações limites. Alguns personagens entram na história “sem quê nem pra quê”, como a mulher de Raymond (Norton), por exemplo. A edição, há de se justificar, tem boa culpa em salvar o longa das prateleiras de fundo das locadorasno fututro.

Apesar de ser fã do trabalho de Norton, tem um tempão que ele não faz nada destacável. Depois de “Clube da Luta” , tem trabalhado em projetos medianos e grandes roubadas (como Cruzada, Hulk). Quem rouba a cena é mesmo o Colin Farrel. Apesar de péssimo ator, justiça seja feita, aqui ele brilha, brilha e brilha cada vez que aparece na tela. Prova que está mais maduro como ator, que aprendeu algo, e que papéis de caras durões e brutos lhe caem como uma luva.

No fim das contas, “Pride & Glory” é um excelente thriller para que gosta do gênero ou quer apenas passar pelo fim de semana. Péssima fotografia, péssima trilha sonora, péssima direção e historinha “mais ou menos” e desfecho idem. O elenco inicial do filme incluia Mark Wahlberg, Hugh Jackman, Robert DuVall, Ed Harris e Anthony LaPaglia. Todos abandonaram a produção. Por que será?

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Nicholas Cage’s back: Knowing

Março 6, 2009

Parodiando meu amigo internético Guxta, quem me conhece sabe que eu adoro o Nicholas Cage. Hoje vi no cinema o trailer de “Knowing”, que não lembro a tradução agora, e pareceu-me interessante, capaz de fazer uma boa bilheteria. Depois de fracassos retumbantes com “Motoqueiro Fantasma” e “A lenda do tesouro perdido”, o ganhador do Oscar precisa de pelo menos um arrasa-quarteirão para voltar a conseguir bons papéis.

Dirigido por Alex Proyas, as mãos responsáveis por “Eu, Robô”, o suspense sobrenatural traz Cage como um professor que tenta evitar tragédias previstas há muito tempo por um grupo de crianaças, em 1958. Parece coisa boa ou não? Tudo indica a presença daquelas chatices patrióticas americanas, mas eu to curtindo. Acho que o “perucueiro” merece um retorno e esse tem potencial para ser um dos bons!

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O Lutador: Sem opinião de verdade!

Março 3, 2009

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Randy `The Ram´ Robinson (Mickey Rourke) é um bem-sucedido pugilista nos anos 80 que é impedido de lutar depois de sofrer um ataque cardíaco. Assim, ele consegue um emprego em um restaurante, passa a morar com uma stripper e tenta se tornar amigo do filho dela, mas não consegue resistir a vontade de retornar à antiga carreira, mesmo sabendo que isso oferece riscos a sua saúde.

+ Ver um trabalho de Darren Aronofsky (Fonte da Vida) nas telonas é sempre um prazer, por isso, “O Lutador” é muito bem-vindo. Fazer um filme com temática e “herói” semelhantes a um dos maiores ícones da história do cinema – Rocky – é arriscado, mas as comparações são realmente infundadas. São narrativas distintas, o espaço-tempo é diferente, os personagens são mais densos – carregados de mágoas e com medo diante da vida – e optam pelo passo mais fácil, não aguentam a “tranqueira” em que basearam suas existências.

+ Michey Rourke é um engodo. Não concordo com a grande maioria de críticas e opiniões ao redor do mundo. O ator não faz um trabalho tão excepcional assim. Seu choro não me comove, suas aspirações não me motivam a nenhum sentimento e sinceramente, não dá pra ter identificação com “The Ram”.

+ Marisa Tomei, uma atriz que sempre achei “qualquer coisa”, aqui sim, dá um show de profissionalismo, de carisma e talento. Sua personagem é viva e humana, realista e sincera, realmente algo caro ao filme. Assim como Evan Rachel Wood, que em menos tempo em cena, faz mais bonito que o Rourke. Sua raiva contida, seu desapontamento com o pai é digno de interpretação de grandes estrelas.

+ O filme tem uma velocidade constante, fotografia muito bem cuidada. A ausência de trilha sonora nos momentos mais chocantes do filme o tornam algo que foge do medíocre, e arranca, aí sim, lágrimas do público. Palmas e mais palmas para Bruce Springsteen pela canção “The Wrestler”, injustamente não indicada ao Oscar deste ano.

+ Drama, drama, drama, drama. Pessoalmente, Aronofsky forçou com o Rourke. Não que não ache que o Rourke mereça uma volta. Sim, ele merece isso, só não sei se “O Lutador” foi a melhor opção. É um filme que me deixa sem opinião, sem muita reflexão, quando deveria ser o contrário. Mas está aí, e quem tiver olhos, veja!