Posts de Fevereiro, 2009

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Dogville. Bagunçou em mim!

Fevereiro 28, 2009

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Se há um diretor controverso, este é Lars Von Trier. O dinamarquês, um dos criadores do Dogma 95, usou pouco do manifesto em Dogville, mas foi o suficiente para fazer barulho em 2003, ao contar uma história baseada na teatralidade e nas interpretações sobre o que o ser humano tem de melhor e de pior.

Para entender a história que Von Trier (Ondas do Destino , Dançando no Escuro) quer nos contar é preciso se despir de qualquer moral. Por outro lado, o drama que se apresenta não é e nem deve ser percebido com amoral. Confuso? Pois é. Esse é o grande objetivo do diretor ao narrar a história da jovem Grace (Nicole Kidman), que perseguida por gângsters, acaba chegando à esquecida e sombria Dogville. Precisando de abrigo, ela submete-se aos caprichos, a princípio inocentes, da pequena comunidade, até encarar os fatos como realmente são e ter uma participação decisiva sobre suas vidas no final dessa odisséia.

Sim, odisséia, por que na verdade o diretor nos conduz a um estudo profundo, ainda que parcial, sobre o homem, seus questionamentos e suas motivações em relação a outros seres humanos. Seus defeitos, qualidades e sua falsa bondade. O roteiro sobe explorar todas as idéias e conceitos exaustivamente debatidos e comentados por filósofos desde os tempos antigos. Para ser mais atual, Nelson Rodrigues brilhantemente soube exemplificar em poucas palavras, o que Dogville tenta em quase 3 horas de projeção. “Não há nada pior do que a crueldade do bom. Nas suas maldades excepcionais, o bom é capaz de invadir um berçário e chupar o sangue das criancinhas como groselha”.

Mas Dogville não divide opiniões apenas quanto ao roteiro. O fato de fazer com que a audiência se perceba em um teatro, com o passar das horas torna-se até mesmo claustrofóbico. Talvez pelo jogo de luzes, pelo cenário quadrado e limitado, pela sensação de vazio a ser completado ou pela ausência de pormenores visuais. A verborragia dos personagens também contribui para essa sensação. Impossível não se sentir pressionado. Pressionado a tomar um lado, pressionado a reagir com o que acontece na tela, pressionado a se colocar como ser humano também, passível de bondade, ainda que disfarçada, e maldade extrema.

A direção não inova em enquadramentos ou passeios de câmera. O forte é a concepção como um todo e isso Von Trier constrói em cada cena. Quis chocar, confundir e questionar. E conseguiu. Por um lado, Dogville é uma idéia brilhante, por outro, um exercício de arrogância, qualidade, aliás, tão discutida no filme, e levada à prática por Von Trier. Seu trabalho é pretensioso sim, e por isso há divergências de olhares, de opiniões, de entendimento. Pessoalmente, acho este trabalho o mais bem colocado de sua carreira. Indigesto, brilhantemente – e de forma ousada – moldado e mais que nunca, necessário.

O elenco, encabeçado por Paul Bettany (Thomas Edison Jr) e Nicole Kidman (Grace) é mais um adendo á obra. O personagem Tom, um escritor cheio de teorias e sedento por uma afirmação moral e pública, demonstra vaidade e nobreza com o mesmo sentimento. Kidman deveria ter ganho outro Oscar por sua atuação nada caricata e convincente, e Lauren Bacall só reforça o óbvio: o tempo não tira o talento de que já é magistral, seja em qualquer papel, ou em qualquer época.

Dogville fala de abnegação, de altruísmo, instinto, vida em sociedade, e também o contrário disso, o oportunismo, a vaidade, a maldade, características intrínsecas a todo ser humano. Tudo isso é retratado seja pela desconfiança dos moradores da cidadezinha, pelo abuso sexual cometido para com Grace, ou na maledicência alheia. No fundo, primeiro o roteiro constrói personagens, o caráter. Em seguida os destrói, tira a máscara. Enquanto isso, “re-constrói” a personagem da Nicole Kidman, ainda que em pequenas nuances e com uma “re-estruturação” final brutal e apoteótica.

Dogville merece ser visto, comentado e dissecado. Sem nenhum preconceito estético, moral ou filosófico. Nada mais, por que Dogville é uma experiência. Enjoy!

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Opa!

Fevereiro 27, 2009

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Operação Valquíria

Fevereiro 26, 2009

Na verdade, todo mundo já sabe sobre o que é Operação Valquíria, então nao adianta falar muito sobre isso. Ao que parece, o roteiro foi bastante fiel aos acontecimetos. Singer não fez nada muito diferente, mas soube contar de forma muito competente a história de uma conspiração militar contra Hitler, com a ajuda de uma fotografia muito bem trabalhada.

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Tom Cruise, Billy Night (excepcional) e Kenneth Branagh ajudam a dar credibilidade ao longa dirigido por Bryan Singer (X-Men). Cercado de controvérisas, o filme conta um outro lado sobre a Alemanha Nazista, tendo como persongem principal o coronel alemão Claus von Stauffenberg (Tom Cruise), que acidenta-se na África e retorna à Alemanha para juntar-se à resistência alemã contra o poder totalitário de Hitler. Encabeçando o projeto Operação Valquíria, Claus é encarregado de matar o Fürher com as próprias mãos, pretendendo que o ditador possa ser substituído.

Operação Valquíria não tem atuações primorosas, mas o elenco não compremete, inclusive têm bons momentos e fazem o dever de casa direitinho. Os 80 milhões de doláres, ao meu ver, parecem ter sido bem gastos.

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Oscar 2009: Sem delongas, meus palpites

Fevereiro 21, 2009

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MELHOR FILME
O Curioso Caso de Benjamin Button
Frost/Nixon
O Leitor (The Reader)
Milk – A Voz da Igualdade
Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)

MELHOR DIRETOR
David Fincher – Curioso Caso de Benjamin Button
Danny Boyle – Quem Quer Ser um Milionário?
Gus Van Sant – Milk
Ron Howard – Frost/Nixon
Stephen Daldry – O Leitor

MELHOR ATOR
Brad Pitt – Curioso Caso de Benjamin Button
Frank Langella – Frost/Nixon
Mickey Rourke – O Lutador (The Wrestler)
Richard Jenkins – The Visitor
Sean Penn – Milk

MELHOR ATRIZ
Anne Hathaway – O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married)
Angelina Jolie – A Troca (The Changeling)
Melissa Leo – Rio Congelado (Frozen River)
Meryl Streep – Dúvida (Doubt)
Kate Winslet – O Leitor

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Heath Ledger – Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight)
Josh Brolin – Milk
Michael Shannon – Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road)
Philip Seymour Hoffman – Dúvida
Robert Downey Jr – Trovão Tropical (Tropic Thunder)

ATRIZ COADJUVANTE
Amy Adams – Dúvida
Marisa Tomei – O Lutador (The Wrestler)
Penélope Cruz – Vicky Cristina Barcelona
Taraji P. Henson – O Curioso Caso de Benjamin Button
Viola Davis – Dúvida

ROTEIRO ORIGINAL
Rio Congelado (Frozen River)
Milk
Na Mira do Chefe (In Bruges)
Simplesmente Feliz (Happy-Go-Lucky)
Wall-E

ROTEIRO ADAPTADO
O Curioso Caso de Benjamin Button
Dúvida
Frost/Nixon
O Leitor
Quem Quer Ser um Milionário?

FOTOGRAFIA
Cavaleiro das Trevas
O Curioso Caso de Benjamin Button
O Leitor
Quem Quer Ser um Milionário?
A Troca

DIREÇÃO DE ARTE
Cavaleiro das Trevas
O Curioso Caso de Benjamin Button
A Duquesa (The Duchess)
Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road)
A Troca (The Changeling)

FIGURINO
Austrália
O Curioso Caso de Benjamin Button
A Duquesa
Foi Apenas um Sonho
Milk

MONTAGEM
Cavaleiro das Trevas
O Curioso Caso de Benjamin Button
Frost/Nixon
Milk
Quem Quer Ser um Milionário?

MAQUIAGEM
Cavaleiro das Trevas
O Curioso Caso de Benjamin Button
Hellboy 2

EDIÇÃO DE SOM (SOUND EDITING)
Cavaleiro das Trevas
Homem de Ferro
Procurado
Quem Quer Ser um Milionário?
Wall-E

MIXAGEM DE SOM (SOUND MIXING)
Cavaleiro das Trevas
O Curioso Caso de Benjamin Button
Procurado
Quem Quer Ser um Milionário?
Wall-E

EFEITOS VISUAIS
Cavaleiro das Trevas
Curioso Caso de Benjamin Button
Homem de Ferro

TRILHA SONORA ORIGINAL
O Curioso Caso de Benjamin Button
Defiance
Milk
Quem Quer Ser um Milionário?
Wall-E

MELHOR CANÇÃO
“Down to Earth” – Wall-E
“Jai Ho” – Quem Quer Ser um Milionário?
“O Saya” – Quem Quer Ser um Milionário?

ANIMAÇÃO
Bolt, o Supercão
Kung-Fu Panda
Wall-E

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
The Baader-Meinhof Complex – Alemanha
The Class – França
Departures – Japão
Revanche – Áustria
Waltz with Bashir – Israel

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Noivas em Guerra: Desastre!

Fevereiro 20, 2009

Emma (Anne Hathaway) e Liv (Kate Hudson) são amigas desde criança, quando planejaram em detalhes como seriam seus casamentos. Um deles é importantíssimo: que a cerimônia ocorra no Hotel Plaza, o local onde os mais badalados casamentos de Nova York ocorrem. Agora, aos 26 anos, elas estão prestes a se casar. Mas um erro na marcação das datas faz com que elas coincidam, o que gera uma disputa entre as agora ex-amigas por quem fará a cerimônia no local sonhado.

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Todos aqueles que gostam um pouco de cinema e entendem como ele funciona, sabe o que esperar de comédias açucaradas. Disfarçada de inteligente, “Noivas em Guerra” veste a capa de algo interresante, que parece valer a pena espiar, mas o resultado comnandado pelo diretor Gary Winick, do excelente “De Repente 30″, faz uma fita boboca e ainda amarra as proagonistas em comportamentos extremamente anti-feministas, em cenas e diálogos pra lá de clichês.

Kate Hudson, além de estrelar essa bomba, também atua como produtora. Uma pena! A atriz, desde 2003 tenta repetir o sucesso de “Como perder umhomem em dez dias”, comédia simpática que tratou de colocá-la em um patamar respeitável no que se refere ao gênero. De lá pra cá, a filha de Goldie Hawn e Kurt Russel só se envolve em bombas e tenta aqui, desesperadamente, recuperar a antiga forma. Já Anne Hathaway vive um grande momento na carreira e tem, até então, escolhido bem suas investidas.

O roteiro de Greg DePaul e Casey Wilson não é nem um pouco criativo e só ganha algum brilho com as interpretações das atrizes principais e da codução de Winick. “Noivas em Guerra” não é romântico, não é engraçado e não egata nem de marcha ré. Dispensável, desprezível, bobo. Passe longe!

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As Horas

Fevereiro 19, 2009

Existem alguns filmes que são feitos não para serem fáceis, pseudo-intelectuais ou didáticos, mas para criarem uma reflexão a partir de um retrato, ou vários retratos, como é o caso de “As Horas” (The Hours, 2002).

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Falar do universo feminino é tarefa ingrata. Enigmáticas por excelência, as mulheres muitas vezes conseguem esconder o que lhes vai à alma, e é por esse caminho que trabalha o roteiro de David Hare (Perdas e Danos). Baseado na obra homônima de Michael Cunningham (Pulitzer/Ficção), o drama aborda histórias diferentes, em diferentes espaços de tempo, interligadas por apenas um laço; o romance “Mrs. Dalloway”, de Virginia Woolf.

Em 1931, a escritora Virginia Woolf (Nicole Kidman) está com avançado quadro de doença mental e crises depressivas enquanto escreve seu romance mais conhecido, “Mrs. Dalloway”. Atormentada decide-se por uma atitude desesperarada. Laura Brown (Julianne Moore), uma suburbana mãe de família – aparentemente feliz – da década de 50, lê o livro e é por ele influenciado enquanto se depara com a inércia cinza de sua vida. Em 2001, a editora Clarissa Vaughn (Meryl Streep) tem que lidar com a morte iminente de seu melhor amigo enquanto despe sua alma em busca do entendimento dos próprios sentimentos. Três mulheres. Três formas diferentes de encarar a realidade e escolher caminhos decisivos na vida. Três olhares para o futuro das possibilidades.

A história versa sobre pequenos fatos, pequenos momentos, horas únicas de nossas vidas que ganham proporções imensas e que nos tornam reféns de nós mesmos. A direção de Stephen Daldry capta com sensibilidade a dificuldade de Virgínia em continuar vivendo, apesar do amor por Leonard. Assim como mostra que para Laura é absurdo o peso de uma vida em família, ainda que haja amor os unindo. No caso de Clarissa, o amor do passado é um monstro, que se tornou uma fuga e também uma obrigação frente aos cuidados com o amigo Richard, que está morrendo de AIDS. A frase “Mrs. Dalloway, sempre dando festas para esconder sua tristeza”, dita pelo personagem de Richard Harris, quer exatamente mostrar isso, essa inabilidade de lidar com o que vai por dentro.

“As Horas” é um filme que se completa aos poucos, e muito se deve à atuação. Daldry (Billy Elliott) soube entrelaçar as histórias de forma a tornar palpável a angústia não apenas das protagonistas, mas também dos personagens de apoio. Como não ficar tocado pelo sofrimento de Leonard, em um trabalho primoroso de Stephen Dillane, pelo medo camuflado de Kitty (Toni Collete) ou ainda pela falsa felicidade crível de John C. Reilly? Em “As Horas” vemos claramente como a escalação do elenco é um trabalho difícil, mas que quando acertado provoca um resultado fantástico. Aqui, os coadjuvantes muitas vezes fazem o contraponto necessário ao equilíbrio dos protagonistas, ou ainda, tornam-se um meio de alcance da realidade que os perseguem. As figuras masculinas também possuem um papel importante, seja de impassividade ou de decisão diante do sentimento que entendem como amor, ou ainda, a compreensão deturpada deste sentimento.

Meryl Streep, recordista de indicações ao Oscar, traz para a sua personagem uma delicadeza condizente com os sentimentos extremos que a dominam, principalmente os relacionados ao amigo moribundo Richard, interpretado por Richard Harris. Nicole Kidman faz uma Virginia bastante plástica e centrada, realmente impecável, mas não o suficiente para ganhar o Oscar. A surpresa é Julianne Moore, que da aula, em cada frame, de como o silencio é mais poderoso que palavras. Sua expressão de desespero, impotência diante da vida, leva às lágrimas.

Daldry acerta ao contar uma história que passeia pela não-linearidade, por fixar a câmera muito nas expressões dos atores e por mostrar momentos semelhantes de formas diferentes, seja um abrir de portas, um arrumar de flores, um beijo, um choro. Outro ponto forte do filme é a edição de Peter Boyle, que prima pela sutileza; não é a toa que foi indicado ao Oscar e ao BAFTA daquele ano. A fotografia (Seamus McGarvey) privilegia as emoções dos personagens, trabalhando em conjunto com a direção de arte, conotando certa obscuridade. A trilha sonora de Philip Glass é um show à parte, acompanhando o calvário emocional dos que se molda e compondo os cenários. Ela conduz de forma envolvente, e às vezes surpreendente, as nossas percepções.

Depressivo? Filosófico? Pesado? Metafórico? Sim, mas nem por isso de difícil compreensão. Ao abordar temas como depressão, ansiedade, sofrimento, vida e morte, o longa propõe a reflexão da vida, do que queremos, das nossas escolhas e por isso, é impossível não se identificar. Seja agora, ou daqui a cem anos. “As Horas” não é um filme fácil, mas será sempre atual e belo. De várias maneiras. Só depende de quem vê.

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Yes, Sr! Boa diversão de mente aberta

Fevereiro 17, 2009

A tão esperada e comentada volta de Jim Carrey aos cinemas não foi um boom tão grande quanto se esperava. O “cara de borracha” não acertou o tom nesta comédia que conta a história de Carl Allen, um homem cuja vida vai do nada a lugar nenhum. Tudo por causa de um pé na bunda de uma antiga namorada.

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Levado por um amigo e diante de que sua vida “sucks”, ele se inscreve em um programa de auto-ajuda, onde é obrigado a dizer sim para toda e qualquer coisa. Liberar o poder do “SIM” começa a transformar a vida de Carl de formas surpreendentes e inesperadas. E tome-lhe piadas gastas, clichês e infames sacadas com velhinhas e sexo oral. Sim, tudo numa mesma sentença, frame or whatever.

Particularmente, Carrey já fez coisas melhores, mas “Sim, Senhor!” não é de todo ruim, se vc assistir com o coração aberto. E bota aberto nisso!

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Desejo e Reparação

Fevereiro 15, 2009

Triste. Pesado. Sensível. “Desejo e Reparação” (Atonement, 2007), apesar de ser descrito como um romance, não finca pé apenas nessa face. Intimista ao extremo, tem na culpa o seu mote. De forma peculiar, e ousaria dizer, até mesmo seco, mostra como o olhar que damos a determinadas situações e sentimentos conduzem a ações irremediáveis. Os personagens principais são tocados de fora brutal por essa realidade, e a partir dela, buscam a redenção: uns pelo perdão; outros pelo amor perdido, mas nunca esquecido; e outros ainda, pela aceitação nula dos fatos.

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Briony Talis (Saoirse Ronan), aos seus 13 anos, é uma garota impaciente e frívola, que demonstra uma mente fértil e criativa. Todas essas características são canalizadas, de certa forma, para o seu hobby favorito: escrever. Testemunha ocular do “relacionamento de arestas” entre sua irmã Cecília (Keira Knightley) e o jovem agregado da família, Robbie Turner (James McAvoy), a garota interpreta erroneamente o relacionamento do casal e dá seqüência a eventos que levarão todos a situações-limite. Movida pelo capricho e pelo despeito, a adolescente acusa o rapaz de abuso. Com essa atitude condena Robbie e Cecília a um destino doloroso, e a si mesma, a um sentimento de culpa e infelicidade eternos.

Baseado no livro Reparação (2002), do escritor inglês Ian McEwan, o longa de Joe Wright conseguiu traduzir em imagens, por baixo da carapuça de drama épico romântico, todas as discussões colocadas em pauta nas páginas de McEwan: amor, obsessão, mentira, culpa, desespero. Se por um lado, na época de seu lançamento, a crítica considerou o livro aquém dos anteriores, a transposição para a grande tela não deixou nada a dever a grandes adaptações cinematográficas, principalmente por que carrega no seu roteiro a assinatura do próprio autor, em parceria com Christopher Hampton (O Americano Tranqüilo, Eclipse de uma Paixão e Ligações Perigosas).

Assim como em sua estréia (Orgulho e Preconceito), Wright casa com maestria a imagem e o áudio, com a necessidade do que não se deve dizer e do que não se deve mostrar. A preocupação estética – impecável – é parte da narrativa, que com a força do roteiro ganha contornos provocativos e convidam o espectador às mesmas ânsias, desejos e sentimentos dos personagens. É bonito de ver como a Direção de Arte e de Fotografia trabalham casadas com a Trilha Sonora. Em certos momentos o som da tecla de uma máquina de escrever dá o tom necessário ao que está por vir. Em outras, a música é o próprio diálogo. Dario Marianelli surpreende ao criar uma áurea musical única e extremamente passional para compor os embates psicológicos da trama.

O longa também prima pelas excelentes atuações. Keira Knightley adapta-se muito bem a romances de época e carrega para sua Cecília um pouco dessa áurea aristocrática e refinada que lhe é tão característica. Pessoalmente não gosto das atuações da Keira, mas concordo que ela confere dignidade a um personagem mais complexo, uma mulher forte e apaixonada. James McAvoy traz uma composição mais cuidada, já que Robbie transita por situações e emoções diversas durante toda a história. O ator, que chamou a atenção em “O Último Rei da Escócia” consegue sensibilizar o público seja com sua irreverência da juventude, seu arrebatamento por Cecília ou sua dor durante a Guerra, marcada pela abrupta perda de um grande amor. Apalusos para a composição da personagem Briony também encanta. O gestual, o olhar, a impostação da voz é adequado para as três atrizes que a compõem: Saoirse Ronan, Romola Garai, Vanessa Redgrave. Esta última nos faz chorar ao se redimir publicamente de seu grande erro e revelar um final que toca profundamente no espectador. Brenda Blethyn, que interpreta a mãe de Robbie, nos cala em dois momentos: ao ver o filho sendo algemado, e ao lavar seus pés, em uma espécie de delírio único e extasiante.

Embora tenha nos atores e roteiro muito do seu melhor, o que chama a atenção em “Desejo e Reparação” é a narrativa. Joe Wright utiliza o fator espaço/tempo ao contar uma história não-linear e que brinca com a dualidade. O diretor parece filmar com um pincel, onde retoca apenas o que vai por instinto. Apesar disso, Wright nos envergonha com alguns momentos clichês, entretanto se redime ao filmar uma cena ininterrupta, mostrando a chegada de Robbie e dois companheiros de guerra à praia de Dunkik. Muito mais que retratar um momento histórico, o diretor deixa falar as emoções desse homem ao chegar ao local e se deparar com o inesperado. Sublime!

Equilibrado, “Desejo e Reparação” sai do convencional e transforma-se em uma obra-prima para ser vista e revista, analisada com o coração e principalmente, item obrigatório na DVDteca de qualquer amante da sétima-arte. Para quem gosta de sentir emoções é um prato bem servido!

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Cinemark: new world

Fevereiro 12, 2009

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Eu sei que pode parecer até meio “jeca”, mas eu nunca tinha ido ao Cinemark. Para os curiosos e engraçadinhos de plantão, eu não sou da roça… Rs… Mas tão acostumada estava ao Multiplex e aos cinemas alternativos que nunca tive muita “força de vontade” de ir connhecer , até pq é mega longe da minha casa e bla, bla, bla…

Na última segunda-feira quebrei a corrente da preguiça e adorei! Esperei a hora do meu almoço e fui curtir a estréia de Yes, Sr! Adorei a aura de “estar realmente em um cinema”, as salas, a tela, o som, as cadeiras - chiclete na minha roupa nunca mais - e até a bomboniere e o mega ar condicionado.

Claro que todo o luxo modernidade e conforto teria um preço. Os ingressos variam de R$ 17,00 a R$ 4,00, em sessões especiais. A única coisa que não curti foi a bilheteria e não tem a ver com preço, não. Confesso que ainda prefiro comprar meu ingresso por um vão e mal ver o rosto do biheteiro, que ver atendentes de headset e telefones em punho.