Nunca fui fã de filmes com bichos. De Ace Ventura a macaquinhos saltitantes, os únicos animais que ainda tolero são o Jerry Lee de K-9, Um policial bom pra cachorro (com James Belushi, 1989) e o golfinho, acho que Flip, de um seriado de TV. Nem do Scooby Doo eu gosto, então foi com desconfiança que acompanhei, de longe, o crescimento de “Marley & Eu”. Não li o livro, nenhuma crítica e apenas assisti ao trailler, o que foi suficiente para criar certa simpatia pela história.
Confesso que tenho que me render ao filme, que não é uma história sobre um cachorro, mas sim, do olhar de seus donos para ele através dos anos, de como avaliam sua presença na família e do sentido que ele dá aos momentos alegres e tristes que viveram, ou seja, uma história de amor, uma homenagem. Marley é um labrador cheio de energia, destruidor de casas em potencial, trapalhão, incontrolável e exagerado em tudo, inclusive no carinho que dispensa aos recém-casados Jenny e John Grogan e depois aos seus três filhos, em quase 10 anos de convívio.
Baseado no best seller homônimo e real, o filme ganhou vida pelas mãos do roteirista Scott Frank, que também já colocou suas mãos em “Vôo da Fênix”, “Minority Report – A Nova Lei”, “Irresistível Paixão” e “O Nome do Jogo”. O diretor David Frankel (Diabo Veste Prada, 2006), em seu segundo longa, soube conduzir muito bem uma trama baseada em forte apelo emocional. Jennifer Aniston (Friends, Dizem por Aí, A Razão do meu Afeto, Separados pelo Casamento) e Owen Wilson (Starky e Hutch, Penetras bons de bico) funcionam bem juntos e estabeleceram uma química incrível com o cachorro. Ponto pra eles, uma ótima escolha dos produtores. Ótima a presença especialíssima de Alan Arkin (Arie Kleim) como editor-chefe de Grogan.
Contada pelo próprio autor/protagonista, a história é cheia de momentos cotidianos onde Marley é a atração principal, e quando não o é, margeia cenas e situações tragicômicas, inesquecíveis para o casal. Acho que a direção e a edição trabalharam muitíssimo bem a questão temporal, alo que pode salvar ou acabar com um filme, assim como a fotografia, que privilegia os tons mais claros, tanto nos cenários externos quanto de estúdio, há ainda a ajuda do figurino, que transporta muito dessa idéia de luz, do limpo, celebrado muito pelas locações na praia, tendo como cenário uma ensolarada Califórnia.
Definitivamente “Marley & Eu” é um filme alegre, sincero e romântico, até para pessoas como eu, que detestam cachorros e similares. Impossível não se emocionar com a história, ainda mais sabendo-a real. Não dá pra segurar o choro com as cenas finais, onde o diretor usa de um golpe baixo muito conhecido (usar crianças em cenas emotivas) para fazer até o mais duro coração de pedra verter lágrimas initerruptas. E é isso mesmo! Feito para rir, emocionar e homenagear, “Marley & Eu” é uma das melhores adaptações literárias de 2008. Simpática e imperdível!







