Posts de Novembro, 2008

O Vizinho: Incômodo, inflexível e reflexivo
Novembro 28, 2008O sonho dos americanos em morar no subúrbio é o pano de fundo para o thriller “O Vizinho” (Lakeview Terrace), que chega aos cinemas no próximo fim de semana. Abusando de estereótipos, o diretor Neil Labute carrega a mão para abordar discussões sobre preconceito racial e a paranóia em torno do poder de fogo da polícia americana.

Chris (Patrick Wilson, Pecados Íntimos) e Lisa Mattson (Kerry Washington, O Último Rei da Escócia) são um jovem casal que se muda para uma pacata e abastada vizinhança do sul da Califórnia. Em uma noite conhecem Abel Turner (Samuel L. Jackson), um aparente viúvo, pai de dois adolescentes e policial linha dura. Incomodado com relacionamento do casal (inter-racial), aos poucos ele demonstra um comportamento descontrolado e sem limites, quando seus códigos de conduta não são aceitos.
Há uma notável vontade do diretor Neil LaBute (“O sacrifício”, “Possessão”, “A Enfermeira Betty”) em polemizar duas questões no filme. A primeira é a questão do preconceito racial e a segunda é um retrato truculento da polícia norte-americana. O personagem Abel Turner, a princípio, é um desejo comum a todas as pessoas. O problema é quando ele se torna – e acha que o é – um paladino da lei e da moral, sem nenhuma forma de restrição. Demonstrando uma personalidade descontrolada e racista, Abel passa a atormentar a vida dos recém-casados – em palavras e ações.
Em ambos os lados da moeda vale a discussão, entretanto Labute poderia ter aparado arestas e feito um filme com menos excessos. Leia-se um discurso menos agressivo e esterotipado por parte do policial, ao falar de relações birraciais, do poder de fogo da lei e da paranóia. Ou do lado “sofredor” dos personagens recém-casados. A verborragia de Jackson faz o contraponto com um aturdido e covarde Chris (Patrick Wilson), que somente aos poucos vai ganhando confiança para enfrentar, além do violento vizinho, os seus próprios fantasmas.
LaBute soube mostrar com excelência a perda do auto-controle dos personagnes. De um lado sobrou atitude e destempero; do outro, faltou ousadia e coragem. No quesito interpretação, Jackson não precisa provar mais nada a ninguém, e faz de seu Abel um personagem comum. Já Patrick Wilson encarna bem o papel de homem suburbano e em conflito com seus desejos, sejam eles familiares ou sociais. O saldo de “O Vizinho”? Incômodo, inflexível e reflexivo. Bom, mas não imprescindível.

Notícias que me deixam feliz #1
Novembro 27, 2008Com informações da EFE
O ator britânico Ralph Fiennes estreará como diretor em um filme inspirado na figura do militar romano Coriolano, personagem da tragédia homônima de William Shakespeare, que será gravada em várias localidades sérvias e no qual encarnará o protagonista.
A informação foi divulgada pelo jornal sérvio “Danas”, que afirma que a gravação do filme na Sérvia começará no segundo semestre de 2009. Segundo a fonte, Fiennes visitou Belgrado na semana passada e conversou com o vice-primeiro-ministro e ministro do Interior sérvio, Ivica Dacic, para acertar detalhes sobre as filmagens e as locações.
Unidades especiais da Polícia sérvia, assim como uma brigada policial de cavalaria, estarão à disposição de Fiennes e sua equipe. O jornal sérvio destaca que o baixo preço da produção e o profissionalismo identificam a cinematografia sérvia como uma indústria regional com grande potencial de desenvolvimento.
Fiennes, de 45 anos, concorreu ao Oscar de melhor ator por “O Paciente Inglês” e coadjuvante por “A Lista de Schindler”. Será que, finalmente, rola um Oscar de melhor ator, aí? Pelo menos, ele merece!

7 Festival Varilux de Cinema Francês
Novembro 25, 2008
O Festival Varilux de Cinema Francês chega a sua sétima edição e percorre doze cidades brasileiras até o dia 18 de dezembro. O evento mostra sete filmes inéditos no Brasil e fica uma semana em cada lugar participante (São Paulo, Rio de Janeiro, Natal, Brasília, Belo Horiznte, Porto Alegre, Recife, Curitiba, Fortaleza, Ribeirão Preto, Salvador e Florianópolis).
Em Salvador, o festival acontece de 12 a 18 de dezembro, com exibições no Salvador UCI Aeroclube (Otávio Mangabeira). Vale muitíssimo a pena a visita ao evento. Na grade, filmes imperdíveis como “15 anos e meio” com Daniel Auteuil e “Beijo na Boca, não!” com Audrey Tatou. Vale muito a pena dar uma conferida nos títulos; uma oportunidade especial para quem gosta de cinema, para quem não gosta e para quem tem muita vontade de ver coisas boas, novas e cheias de estilo!

A vida imita a arte ou o contrário?
Novembro 24, 2008Japonês mora em aeroporto no México há 3 meses
Homem diz não ter planos de voltar ao Japão e sobrevive com doações de lanchonetes.
Da BBC
Fonte: G1
A história do japonês Hiroshi Nohara lembra o roteiro do filme”O Terminal”, com Tom Hanks, mas é pura realidade: há três meses, ele desembarcou no Terminal 1 do Aeroporto Internacional Benito Juarez, na Cidade do México, e ficou por lá. A parada era só uma escala, mas ele decidiu esticar a estada e agora diz não ter planos de voltar ao Japão.
No começo, funcionários do aeroporto contam que passageiros se mostravam assustados com a insistente presença do homem, que sobrevive de doações das lanchonetes no aeroporto.
No entanto, aos poucos, Nohara se transformou em uma espécie de celebridade no México, apesar do mal cheiro de quem parece não ter tomado banho pelo menos desde o dia 2 de setembro, data em que pousou no México. Atualmente, o japonês posa para fotos ao lado de turistas e até dá autógrafos e entrevistas.
Ele afirma não ter tido qualquer motivo específico para escolher o aeroporto da Cidade do México, mas afirma que, se tivesse que encontrar uma razão, diria que é “porque queria respirar o ar mexicano no aeroporto”.
Como o japonês tem um visto válido para o México, ele não pode ser expulso do país até o vencimento do prazo de validade, em março.

Prêmio
Novembro 24, 2008
Recebi uma indicação de prêmio do Guxta - meu mais novo amigo blogueiro - para o meu humilde blog. Trata-se de um selo que rola entre blogueiros quando curtem o trabalho de um colega. O Guxta foi premiado pelo blog Girls Wireless, e o Poltronna B foi premiado pelo 12 Horas de Sono. Eu fiquei feliz pq, embora seja uma coisa simples, denota que alguém gosta do que você faz, das coisas que você escreve e pensa, mesmo que não deixa comments ou mande um e-mail, ou pior, que você escreva um monte de asneiras…
A internet é um celeiro e tem muita coisa bacana por aí. O grande lance é saber encontrar o que te faz bem e curtir, socializar, conhecer pessoas, fazer amizades; isso que é bacana! Existem sites que eu vejo todo santo dia, que estão entre os meus preferidos e outros que também não sei viver sem uma espiadinha. Todos estão listados ao lado para quem quiser conferir. Como alguns já foram indicados pelo Guxta e por quem veio antes, vou citar alguns colegas que eu religiosamente pago pau também… Anota aí!
Filmes do Chico * A Sala * Cine Vita

Max Payne: Ruim que só!
Novembro 23, 2008Medíocre e chato, Max Payne é um erro que deveria ter sido evitado a todo custo. Sua realização não faz bem a ninguém e ainda trata de acrescentar mais um fracasso à lista de Mark Walbergh, um bom ator, que precisa desesperadamente de um sucesso. Infelizmente, o longa é uma perda de tempo, dinhero e energia para todos os envolvidos, principalmente para o público.
O policial Max Payne (Mark Wahlberg) era feliz até que sua mulher e seu filho foram assassinados. O crime muda as atitudes do oficial, que se torna solitário e obcecado em encontrar pistas do crime. Quando conhece a bela Natasha (Olga Kurylenko), Max acredita estar próximo de encontrar pistas sobre o culpado, mas a russa é brutalmente morta logo após o encontro. O mesmo acontece com seu ex-parceiro Alex. Culpado pelos dois crimes, Payne passa a ser investigado e precisa provar sua inocência. Com a ajuda da assassina Mona (Mila Kunis), irmã de Natasha, ele consegue chegar às respostas que tanto procura.
O longa, baseado em um game, tenta imprimir um tom de violência, sobrenatural e mistérios mitológicos, mas o resultado é bem medíocre. Alardeado como o melhor jogo de ação de todos os tempos, “Max Payne” vendeu mais de 5 milhões de cópias nos EUA, ganhou continuação em 2003 e possui fãs espalhados no mundo todo. Talvez deva ser creditado a eles o mérito da bilheteria da adaptação cinematográfica – pífia – que chegou aos cinemas brazucas essa semana.
O grande problema do filme é que ele sofre com a maldição que acompanha a maioria das adaptações de jogos para o cinema, salvo “Lara Croft: Tomb Raider” e “Mortal Kombat”. John Moore (Profecia 666) dirige com um pé no piloto automático. O roteiro do estreante Beau Thorne é um desastre do começo ao fim. Os personagens entram e saem de cena como num piscar de olhos, não há construção de identidade e nem mesmo há a tentativa de empatia com a história. Em nenhum momento o público se comove pela dor que acompanha o protagonista e os desdobramentos de sua odisséia.
Mark Walbergh não está à altura de Max. Apesar de ter feito filmes com papéis semelhantes, Walbergh não faz o mínimo esforço nem para enganar o público e coloca seu lado mais canastrão`a mostra. Onde está aquele rapaz que convenceu em “Os Infriltados” e vai ficar na história do cinema pela interpretação de Dirk Digler, do fabuloso “Boogie Nights – Prazer sem Limites”? As interpretações de Olga Kurylenko, Mila Kunis (do seriado That 70´s Show) e Chris O’Donnell (Jason Colvin) não acrescentam nada à história. Um pequeno sopro de vida inteligente acontece apenas nas aparições de Beau Bridges (B.B.), mas sem muita expressividade.
“Max Payne” tinha todos os ingredientes para ser um arrasa-quarteirão, porém acumula problemas em todas as áreas. Apesar das críticas desfavoráveis, só não de pode dizer que o filme é um fracasso retumbante: já arrecadou US$ 18 milhões apenas em sua semana de estréia. E tudo indica que vem continuação por aí.

Um segredo entre nós: Boas surpresas
Novembro 22, 2008“Um segredo entre nós” (Fireflies in the Garden) é um drama familiar que mistura tempo presente e flashbacks para contar a história de Michael Waechter, um escritor que apesar da maturidade, ainda não conseguiu esquecer a infância traumática ao lado do pai. Dennis Lee, que também assina o roteiro, reuniu um bom time para contar uma história que apela para a emoção da gente. O time ajuda, só não salva o drama do lugar comum.

Michael (Ryan Reynolds) é um adulto marcado por um passado problemático em uma relação conflituosa com o pai, Charles (William Dafoe). De volta à cidade natal para a formatura de sua mãe Lisa (Julia Roberts), ele se vê desconfortável junto à família. As coisas tornam-se mais turvas quando um acidente de carro, provocado pelo patriarca, acaba ocasionando na morte de Lisa e causando traumas de grandes proporções. O protagonista revive sua turbulenta infância, a relação com a mãe, a amizade com a jovem e destemida Tia Jane (Hayden Panettiere e Emily Watson), retoma um casamento fracassado e faz descobertas que talvez não devem ser reveladas.
“Fireflies in the Garden” é uma referência a um poema do escritor Robert Frost, que inclusive serviu de inspiração para o roteiro, e tem uma função especial em determinada parte do filme. Cada cena é pensada para mostrar como o rapaz sofre com o desprezo do patriarca – seja na infância ou na idade adulta. Também merece atenção a relação que se estabelece entre Michael e Christopher, filho de Jane, talvez por que enxergue neste, um pouco de si mesmo.
Apesar de bem intencionado, o filme sofre com uma narrativa problemática, que não vai a fundo nos pontos principais, que deveriam, ao menos, causar algum impacto no espectador. A direção de Lee é agradável, mas falta vigor: faz uso hábil da fotografia de Daniel Moder (paisagens, verde, etc…), passeia pelo cotidiano de uma típica família de cidadezinha, mostra, com muita sensibilidade, as emoções dos personagens em momentos distintos, tudo colaborando para percebermos a controvérsia dos sentimentos e as situações-limite em que vivem.
O grande trunfo de “Um segredo entre nós” é o time de atores. Inegável a evolução de Ryan Reynolds, um ator considerado limitado e com estigma de “personagem de um filme só”. Com muita simplicidade, sem muitas explosões e primando pelo controle, sua atuação merece elogios rasgados. William Dafoe, impecável, faz de seu vilão, um não-vilão, pois consegue fugir do caricato em filmes com temática familiar, e faz de seu Charles um homem de falhas, que se reconhece como tal, e no fundo, não aceita a si mesmo.
Pessoalmente, acho os garotos Cayden Boyd (Michael jovem) e Chase Ellison (Christopher) são as coisas mais intensas do filme. Nos olhares e palavras não ditas – ou ditas até demais – ambos conseguem nos deixar sem fôlego, , emocionados, despedaçados… Como todos os personagens do filme.

Reflexos da Inocência: Adeus e bem-vindo!
Novembro 21, 2008Se Daniel Craig queria sair do estereótipo “Jamesbondiano”, “Reflexos da Inocência” (Flashbacks of a Fool) ainda não é o filme que lhe garantirá tal feito. Apesar de apresentar uma história redondinha e com bons momentos aqui e acolá, o primeiro longa de Baillie Walsh (ex-diretor de videoclipes e amigo pessoal de Craig) não deve fazer sucesso no circuito comercial, ou melhor, entre fãs ávidos do agente secreto.
O ator já sofre do estigma de ser 007. Desde que surgiu interpretando-o, não consegue emplacar nenhum sucesso em outras produções, mesmo com papéis fantásticos e ótimas atuações. Em “Reflexos da Inocência” ele é Joe Scott, astro de Hollywood, já chegando aos quarenta e tantos anos, que começa a amargar fracassos e esquecimento da grande mídia. Viciado em cocaína e em si mesmo, de repente se às voltas com lembranças de sua adolescência. A notícia da morte de um de seus melhores amigos o leva a reencontrar a família e também velhos sentimentos daquela época.
Interpretado quando jovem pelo talentoso Harry Éden, Joe vive sua infância e adolescência ao lado de seu melhor amigo (Max Deacon). Inseparáveis, compartilhavam experiências, sonhos, uma vidinha comum e o desejo pela menina mais bonita da cidade. Mas é no âmbito familiar que as coisas se desenrolam para o personagem. Seduzido por uma mulher casada, o rapaz acaba iniciado no sexo e também na vida real, já que essa relação furtiva, proibida e baseada nas necessidades pessoais de cada um, resulta em caos e em uma conturbada reviravolta na existência de ambos.
O roteiro mostra um Scott vazio, sem motivações nobres (ou não?), com relacionamentos fugazes (exceto o que mantêm com a empregada), um homem insatisfeito, enfim, consigo mesmo, e que reflete isso em cada palavra, ação e pensamento. Qualquer semelhança com exemplos da vida real, pode não ser mera coincidência: trata-se de uma crítica nada velada a muitos estilos de vida dos famosos da meca cinematográfica. Isso também é mostrado na forma como as mulheres se comportam: sejam as amantes do protagonista ou suas vizinhas, que o acusam de agressão. A fotografia é de encher os olhos em algumas cenas e serve para ora, passar as emoções do personagem, ora para contar sua história.
A fita não traz nada de original e nem grandes interpretações, entretanto ouso dizer que é um filme sensível e até mesmo, honesto, embora pudesse ir mais além. O final simplista poderia ser mais “des-construído”, talvez mostrando o que Joe conseguiu fazer com essa tal “reflexão” de que trata o título. No fim, o saldo (positivo) é que “Reflexos da Inocência” foi feito para mostrar, mais uma vez, que Craig tem talento, muito talento.





