“Mas e se a tecnologia que nos cerca, que nós amamos, e da qual dependemos, de repente fosse usada de forma que pudesse causar mal, ficando completamente fora de controle?” Essa reflexão do co-produtor Pete Chiarelli explica de forma perfeita o mote de Controle Absoluto.
A idéia central do filme navega pela possibilidade de sermos vigiados em todos os lugares. Essa vigilância acontece seja através de câmeras de segurança, celulares ou aparelhos eletrônicos de toda espécie. No ritmo fast food, o longa bebe da fonte “big brodiana”: a exposição do ser humano a ele mesmo, durante 24h, com a diferença de quem vigia é o governo. O público é colocado frente a conspirações terroristas, ações secretas e planos de Estado Maior. Em Controle Absoluto há argumentos, questionamentos e respostas, ainda que mal explicadas, e se não convencem, pelo menos nos faz querer buscar o que está além.
Outros filmes já utilizaram essa temática e explicitaram de forma competente a o papel e a dependência tecnológica nos dias atuais, como “2001 – Uma odisséia no espaço”, “Celular”, “Planeta dos Macacos”. Na verdade Controle Absoluto tem tudo o que se espera dele: ação alucinante e muitas vezes fantasiosa, cenas no Pentágono, a velha disputa entre FBI, CIA e agências ocultas do governo, piadinhas aqui e ali e Shia LaBeouf (Paranóia, Transformers e Indiana Jones). O rapaz é o astro do longa, e mostra porque pode ser, daqui a alguns anos, o mais poderoso astro de filmes de ação.
Sua performance, se não é a ideal, chega perto do que se espera de um adolescente, interpretando outro adolescente em situações limite. Como seu par está a simpática Michelle Monaghan (Missão Impossível III), com quem partilha dúvidas e uma aventura em menos de 48h. Apesar de serem pessoas comuns, com problemas cotidianos, envolvidas em algum tipo de violação criminosa tão sofisticada, mirabolante, absurda e completamente possível. O filme conta ainda com um elenco de luxo: Rosário Dawson (Sin City), Anthony Mackie (Quarteto Fantástico e O Surfista Prateado) e Billy Bob Thornton (A Última Ceia).
Steven Spielberg assina a produção do filme, mas quem comanda a bagunça é o diretor D.J. Caruso (Roubando Vidas e Tudo por Dinheiro). O roteiro escrito a oito mãos – John Glenn, Travis Wright, Hillary Seitz e Dan McDermott – àas vezes parece um queijo suíço, e é por isso que Controle Absoluto acaba como entretenimento fácil.
Controle Absoluto (Eagle Eye) estreou nos EUA com ares de mega espetáculo. Apenas na semana de estréia, o filme da Columbia arrecadou US$ 29,2 milhões (R$ 55,2 milhões) e liderou as bilheterias norte-americanas. O blockbuster protagonizado por Shia Le Bouf continua fazendo bonito também no Brasil e emplaca sua terceira semana no pódio dos mais vistos: abocanhou R$ 861 mil da noite da última sexta-feira (26) até a noite do último domingo (28).







