Posts de Setembro, 2008

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Controle Absoluto: Pode acontecer com você!

Setembro 29, 2008

“Mas e se a tecnologia que nos cerca, que nós amamos, e da qual dependemos, de repente fosse usada de forma que pudesse causar mal, ficando completamente fora de controle?” Essa reflexão do co-produtor Pete Chiarelli explica de forma perfeita o mote de Controle Absoluto.

A idéia central do filme navega pela possibilidade de sermos vigiados em todos os lugares. Essa vigilância acontece seja através de câmeras de segurança, celulares ou aparelhos eletrônicos de toda espécie. No ritmo fast food, o longa bebe da fonte “big brodiana”: a exposição do ser humano a ele mesmo, durante 24h, com a diferença de quem vigia é o governo.  O público é colocado frente a conspirações terroristas, ações secretas e planos de Estado Maior. Em Controle Absoluto há argumentos, questionamentos e respostas, ainda que mal explicadas, e se não convencem, pelo menos nos faz querer buscar o que está além.

Outros filmes já utilizaram essa temática e explicitaram de forma competente a o papel e a dependência tecnológica nos dias atuais, como “2001 – Uma odisséia no espaço”, “Celular”, “Planeta dos Macacos”.  Na verdade Controle Absoluto tem tudo o que se espera dele: ação alucinante e muitas vezes fantasiosa, cenas no Pentágono, a velha disputa entre FBI, CIA e agências ocultas do governo, piadinhas aqui e ali e Shia LaBeouf (Paranóia, Transformers e Indiana Jones). O rapaz é o astro do longa, e mostra porque pode ser, daqui a alguns anos, o mais poderoso astro de filmes de ação.

Sua performance, se não é a ideal, chega perto do que se espera de um adolescente, interpretando outro adolescente em situações limite. Como seu par está a simpática Michelle Monaghan (Missão Impossível III), com quem partilha dúvidas e uma aventura em menos de 48h. Apesar de serem pessoas comuns, com problemas cotidianos, envolvidas em algum tipo de violação criminosa tão sofisticada, mirabolante, absurda e completamente possível. O filme conta ainda com um elenco de luxo: Rosário Dawson (Sin City), Anthony Mackie (Quarteto Fantástico e O Surfista Prateado) e Billy Bob Thornton (A Última Ceia).

Steven Spielberg assina a produção do filme, mas quem comanda a bagunça é o diretor D.J. Caruso (Roubando Vidas e Tudo por Dinheiro). O roteiro escrito a oito mãos – John Glenn, Travis Wright, Hillary Seitz e Dan McDermott – àas vezes parece um queijo suíço, e é por isso que Controle Absoluto acaba como entretenimento fácil.

Controle Absoluto (Eagle Eye) estreou nos EUA com ares de mega espetáculo.  Apenas na semana de estréia, o filme da Columbia arrecadou US$ 29,2 milhões (R$ 55,2 milhões) e liderou as bilheterias norte-americanas. O blockbuster protagonizado por Shia Le Bouf continua fazendo bonito também no Brasil e emplaca sua terceira semana no pódio dos mais vistos: abocanhou R$ 861 mil da noite da última sexta-feira (26) até a noite do último domingo (28).

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Ensaio sobre a cegueira: “Se pode olhar, veja. Se pode ver, repara”.

Setembro 8, 2008

O drama inspirado na obra homônima de José Saramago (único escritor da língua portuguesa a receber o primeiro Nobel de literatura) toca fundo o espectador, que confrontado a um futuro apocalíptico e totalmente plausível, reflete sobre sua existência, principalmente quando chega a limites físicos e psicológicos angustiantes.

Uma epidemia inexplicável se abate sobre uma cidade não identificada. Tal “cegueira branca” – assim chamada, pois as pessoas infectadas passam a ver apenas uma superfície leitosa – manifesta-se primeiramente em um homem no trânsito e, lentamente, espalha-se pelo país. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos a meros seres lutando por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários, renegando tudo o que se considera civilizado, causando um colapso social.

Tenso, contundente, expressivo, realista. Poucos são os adjetivos para resumir a fita que chega aos cinemas brasileiros essa semana. O texto de Saramago é profundo, cercado de sutilezas, mas também é frio e trabalha as piores e melhores humanas frente às suas necessidades mais básicas. Mostra o desespero, a degradação, o isolamento, a ambição. Talvez por isso, a mensagem que o filme quer passar não é a da cegueira em sim, mas o esquecimento do lado bom do ser humano, mostrando personagens sem nome, porém de carne e osso. Palmas para o roteiro de Don McKellar.

Fernando Meirelles (O Jardineiro Fiel e Cidade de Deus) tinha em mãos o filme considerável infilmável. Blindness chega aos cinemas sob forte pressão: do público e da produtora. Com uma obra profundamente contestadora e com todos os olhares voltados para si, Meirelles penou desde o início. O ator Daniel Craig (007 – Casino Royale), primeira opção para viver o médico que perde a visão, pulou fora. Depois, dúvidas sobre as locações (EUA, Brasil e Japão), a tensão da montagem e por último, as audições feitas para saber como o público reagia ao filme, não foram lá tão empolgantes. Nem lá, nem cá!

Blindness tem cheiro de Oscar. O elenco é feito de premiados: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael García Bernal, Danny Glover, Alice Braga e Sandra Oh. A Direção de Fotografia (César Charlone) é primorosa, principalmente se utiliza das cores e ambientes para expressar o sentimento dos personagens e nos faz sentir dentro daquela realidade. A edição (Daniel Rezende) é responsável pelas transições da história, alternando momentos mornos com outros de intensa agilidade, de forma a intensificar ainda mais a dramaticidade da fita.

A narrativa às vezes cansa o espectador, e essa tem sido uma das críticas mais freqüentes que ouvi ao final da fita. Não sei se a culpa é do roteiro, da edição ou da direção, mas concordo que talvez a agilidade devesse estar mais presente em algumas cenas, ou essa “lentidão” é mesmo para provocar a angústia em quem vê.

Mesmo que você não seja sensível, vai ficar desconfortável com Ensaio sobre a cegueira. Creioq eu como os filmes de Almodóvar, essa não é uma história que todo mundo vai gostar, ou entender, mas simplesmente ficará tocado, incomodado, reflexivo. Quanto a mim, saí da sala de cinema hipnotizada, abatida, digerindo…

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O delicado e o clássico em O Diário de um Espírito

Setembro 4, 2008

Glauber Filho e Joe Pimentel conseguiram realizar uma obra sincera e intimista, que segue em sua segunda semana de sucesso nos cinemas brasileiros. Apesar de veiculado em apenas uma sala na soterópolis (Cineplace Itaigara), “Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito” já recebeu 50.000 espectadores desde o último dia 29 de agosto.

O cearense Adolfo Bezerra de Menezes  é uma das figuras mais marcantes do país pelo seu amor ao próximo. Ativo na luta pela escravidão, ao descobrir o Espiritismo, Menezes opta por se dedicar à Medicina e à luta contra a injustiça social. Talvez por esses motivos, a dupla de diretores optou por um olhar clássico sobre sua vida, baseado em um roteiro que prima pela delicadeza.

Em termos gerais, o longa sofre um pouco com a impossibilidade de inovações em enquadramentos e planos mais elaborados, próprios do tema em questão. A direção de arte e o figurino são os aspectos irretocáveis da película, que ainda ganha com uma trilha sonora inspiradíssima. A pesquisa feita sobre as principais fases da vida do médico, primou em destacar o lado religioso e absteve-se apenas em pincelar o lado político. A narração em off, que poderia ser um equívoco, acaba sendo um guia para o espectador, porém peca pelo excesso, quase reduzindo a atuação de Carlos Vereza a uma série de repetições.

Aliás, Vereza em cena é algo de sublime, acompanhando de forma coerente e centrada o olhar dos diretores. É ele, que sozinho, compensa o amadorismo do casting de atores, em sua maioria, cearenses, e sem maiores experiências de palco.

Baseado em fatos reais, o longa adota uma seqüência cronológica das experiências vividas por Bezerra de Menezes: seus dramas, o rompimento com a família, a escolha religiosa, o combate à escravidão e como a doutrina espírita mudou a sua fora de ver o mundo. O filme não é nada de excepcional e pode até mesmo não agrdar à grande massa que lota as salas de cinema, porém aborda temas que se fazem necessários em tempos atuais, como o uso da bondade, da caridade e da ética. Uma grande lição, e por isso, vale a pena uma conferida!

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O Procurado: Cara de Pau!

Setembro 2, 2008

Contemporâneo, divertido e abusado, “O Procurado” agrada a todas as idades, ideologias e pessoas. E sabe porque? Ele não se coloca com seriedade em nenhum momento e cria identidade com o espectador. Através dos esterótipos, o roteiro busca a empatia seja nos diálogos, na transformação do persongem principal ou mesmo no desejo de ser herói, que carregamos escondido, em nós mesmos.

Apesar de ser uma infinidade de “Deja Vus” e clichês do cinemão pipoca, “O Procurado” não decepciona. E faz isso muito bem! O tema central é a superação do ser humano comum, isso com doses cavalares de violência, dentro dos limites e do que se pode esperar de um filme de ação,

A estória estbelece uma ligação do mundo antigo com o mundo atual, numa mistura de rituais e segredos mantidos numa antiga profissão: a tecelagem. Quem diria que em meio a muitos fios entrelaçados haveria uma lista de execução? Um pouco mais além, quem diria também que esta tal fraternidade “ensinaria a pescar” ao inimigo?

O herói da fita é o fracassado Wes (James McAvoy), um pobre coitado que trabalha em uma empresa de contabilidade. Sua vida não tem sentido, seus dias passam iguais, a chefe o destrata, a namorada o ignora e o trai com o melhor amigo. Sua auto-estima é a pior possível, fazendo-o ter frequentes crises de ansiedade. Esse quadro sofre uma alteração quando o rapaz entra em contato com a “Fraternidade”, uma espécie de sociedade secreta, onde começa a ser treinado para vingar a morte do pai (desconhecido).

Entre piadinhas e um forte treinamento físico, Wes descobre que o seu pai está mais vivo do que nunca, pena que só sabe disso quando é mandado para matá-lo. A partir daí ele parte em busca de respostas e ganha um novo inimigo, só que o tal inimigo é mais amigo do que nunca e o jovem herói descobre que ele é a isca. Enquanto oscila entre heroísmo e vingança, ele aprende o que ninguém pode ensiná-lo: que ele mesmo pode mudar o seu destino.

Quanto às performances, Morgan Freeman é, mais uma vez, digno de aplausos. Sempre contido e esbanjando charme, faz de seu Sloan um vilão querido. Angelina Jolie já provou que é boa atriz (O Preço da Coragem), mas só mostra quando quer, e consagra-se em um filão do qual já é soberana: os filmes de ação. James McAvoy (Desejo e Reparação) consegue dar as nuances necessárias ao seu personagem – raiva, medo, incerteza, coragem – mostrando porque atua em dramas, comédias e blockbusters com a mesma competência.

Mesmo sendo um filme irreal, simplista e raso, “O Procurado” é a coisa mais divertida, desprentesiosa e declaradamente cool que apareceu nos cinemas nos últimos meses.

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A Outra: Muito barulho por nada

Setembro 1, 2008

A história das Bolena já ganhou três adaptações. Uma em 1966 com Vanessa Redgrave, outra em 1972 com Charlotte Rampling  e em 2002 com a série televisiva The Tudors, até agora o mais bem feito, e porque não dizer, mundano retrato da Inglaterra do século XVI.

O centro da história de “A Outra” é a relação das irmãs Anne e Mary Bolena. Movidas pela cobiça do pai e do tio, sob o pretexto de ajudar a família, as irmãs tornam-se rivais ao disputar a cama do Rei da Inglaterra. O objetivo era gerar um herdeiro para o monarca que sofria, à época, com a falta de um filho varão, fato que prejudicava os interesses políticos do país. O problema é que Henrique VIII desenvolve um desejo não só por Anne, mas também por Mary, o que leva a um vaivém de emoções e ações movidas pelo ressentimento, ódio e ambição.

O roteiro, baseado no livro de Philippa Gregory, escrito por Peter Morgan (O Último Rei da Escócia) é simplista: falta-lhe essência. A direção  de Justin Chadwick (“Sleeping with the Fishes”) fazendo do que poderia ser uma boa idéia, um mingau morno, um filme sem ritmo. As conseqüências dos desejos de Henrique VIII, as intrigas palacianas, a fundação da Igreja Anglicana, a busca por um herdeiro, e o que todos esses fatos representam, ganham um olhar simplista até demais no longa, já que o diretor optou claramente por trabalhar os arquétipos dos personagens principais.

Nunca Henrique VIII apareceu tão fraco,volúvel e voltado aos seus caprichos. Eric Bana dá ao seu personagem um ar sombrio, pesado e sempre em conflito, mostrando a luta que trava com os seus desejos mais impetuosos. O problema é que ele mostra isso o tempo todo, sempre com a mesma cara de pôster. A Mary de Scarllet Johansson não possui nuances de emoção genuína e sofre com o mesmo problema de filmes anteriores, já que quando seus personagens exigem, ela não possui expressividade. Natalie Portman e sua ambiciosa Anne é atrevida, dissimulada, doce e cruel, tudo isso em proporções distintas e muito bem dosadas.

“A Outra” (The Other Boleyn Girl) não traz nada diferente da grande maioria dos filmes de época. O espectador cansa em meio a uma fotografia centralizada, inssossa e de pouca inspiração. O que segura a construção da história é a impecável direção de arte, a utilização do erotismo e o inegável talento de Natalie Portman. Diante de um roteiro raso, ela esbanja versatilidade. Seu brilho faz falta até quando não está em cena.