Posts de Maio, 2008

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Um baile para todas as idades!

Maio 14, 2008

Chega de Saudade tem música, dança e muita paquera. Mas esse não é um filme de balada. Ou melhor, é uma balada pouco convencional, mas muito bem vinda.

A história, focada em uma noite num clube de dança, apresenta uma variedade de personagens com objetivos bem específicos. São narrativas bem amarradas, paralelas e que exploram a comédia, o drama, a solidão e o desejo em um universo que em um primeiro momento, parece ser apenas de dança e música, mas vai muito além.

Esse talvez seja o trunfo de “Chega de Saudade”. É um filme que não fica no “comum”, que busca mostrar – e consegue com muita delicadeza – dar uma nova roupagem a tudo o que já foi feito relacionado às emoções de um tipo muito particular de personagem: os da terceira idade. É preciso dizer que Bodanzky merece aplausos. A diretora foi ousada ao retratar uma parcela da nossa sociedade tão pouco explorada atualmente no cinema, ou explorada de forma tão vulgar.

Enquanto valsam pela pista de dança, cinco núcleos de casais bem específicos e experientes (em idade ou não), estão em busca de “alguma coisa”.  Alice e Álvaro. Eudes, Bel e Marquinhos. Todos estão no baile por um motivo: recordar um amor, embusca de novas experiências, curiosidade ou ainda encontrar respostas. Algumas histórias são mais sutis e delicadas, outras escancaradamente intensas, mas todas são retratadas com muita sensibilidade pelos atores e pela direção competente de Laís  Bodanzky (O Bicho de Sete Cabeças).

Chega de Saudade é basicamente um filme de experiências. Vivências de pessoas que pelos mais variados motivos, marcam presença em bailes, como o do filme. As situações dos personagens acabam causando identificação para o espectador e o elenco afinadíssimo, junto a um roteiro muito bem amarrado, faz dessa, uma história que prende a atenção e comove pela identificação com a realidade.

 A trilha sonora parece ter sido escolhida com o intuito muito mais de refletir os estágios emocionais dos personagense e cresce ainda mais, com a presença de Elza Soares, uma mulher notadamente à frente de seu tempo e que acaba incorporando suas qualidades à tudo o que faz. E faz toda a diferença!

O longa está há um mês em cartaz e já contabilizou mais de 100 mil espectadores. Essa é uma prova de que os nossos filmes estão no caminho certo, cada vez mais fantásticos, atraindo público e conquistando a crítica. Lançado na 40ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Chega de Saudade teve a recepção mais calorosa do evento. O fato poderia ter sido encarado como sinal de “bons ventos”: a própria diretora ressaltou que a reação super positiva do filme.

Na última semana os atores e a direção do longa estiveram em Salvador para a pré-estréia em solo baiano. O evento aconteceu no Foyer do Multiplex Iguatemi, que contou com apresentação de grupos de dança, reproduzindo um pouco da atmosfera do filme e a presença de jornalistas e convidados.

Chega de Saudade é um filme para todo mundo se apaixonar. Os vovôs vão poder relembrar os velhos tempos e os novinhos quem sabe, podem aprender alguma coisa. Diversidade é a ordem! Sem preconceito, sem bobagem e de coração aberto…  A poltrona de cinema nunca foi tão convidativa!

Quer conferir esse super filme? Então clique aqui e confira as salas de exibição de Chega de Saudade!

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Lições de Amor

Maio 12, 2008

O cinema está cheio de exemplos sobre a vida real. A relação Mães & Filhos sempre renderam boas histórias. Algumas nos fazem rir, outras chorar e ainda tem aquelas que são verdadeiras lições de vida. Um pouco de ficção aqui e ali, uma pitada de humor e muita imaginação fizeram com que alguns filmes se transformassem em verdadeiros clássicos quando o assunto é o amor materno.

Tudo sobre minha Mãe: O cineasta espanhol Pedro Almodóvar fez um filme belíssimo onde destaca o poder de abnegação de uma mãe. No dia de seu aniversário, ganha de presente da mãe, Manuela, uma ida para ver a nova montagem da peça “Um bonde chamado desejo”. Após a peça, ao tentar pegar um autógrafo da atriz principal, Esteban é atropelado e termina por falecer. A morte do único filho leva Manuela de volta ao seu passado e a um futuro totalmente inesperado, onde a possibilidade de ser mãe novamente torna-se uma realidade.

Mamãe não quer que eu case: Rose Muldoon é a mãe irlandesa do policial Danny, que apesar de ter 40 anos, ainda vive sob seu teto. Superprotetora e preconceituosa, ela não acha nenhuma mulher à altura de se casar com o filho. Todas as formas de Danny, um peso pesado, se tornar sedutor são barradas por ela. Entretanto as chantagens emocionais não impedem Danny de iniciar um romance com Theresa, uma maquiladora de cadáveres. Rose não está disposta a se separar do filhinho e começa a incutir-lhe um complexo de culpa que acaba gerando boas risadas.

Óleo de Lorenzo: A atriz Susan Saradon é Michaela Odone e protagoniza este drama comovente e inesquecível baseado em história real. A dura notícia de que o filho de cinco anos, Lorenzo, tem uma doença terminal rara marca o início de uma missão extraordinária para ela e seu marido. A despeito do diagnóstico, os pais se lançam para salvar o filho, enfrentando médicos, cientistas e grupos de apoio que relutam em incentivar o casal na busca de uma cura. Um exemplo de como pais carinhosos e determinados podem levar esperança aos seus filhos em momentos difíceis.

A Sogra: O longa faz piada não com a relação entre mãe e filho, mas sim entre sogra e nora. Depois de anos procurando o príncipe encantado, Charlotte ‘Charlie’ Cantilini finalmente encontra o homem dos seus sonhos, Kevin Fields, mas acaba descobrindo que a mãe dele, Viola, é a mulher dos seus pesadelos. Âncora do noticiário em rede nacional, Viola é despedida e teme perder o filho da mesma forma que perdeu o emprego. Ela decide, então, espantar a noiva do filho tornando-se a pior sogra do mundo. Para isso conta com a ajuda de sua assistente de longa data, Ruby, que faz de tudo para que Viola leve adiante seus planos malucos. Acontece que Charlie resolve revidar e as duas vão ter de disputar para ver quem é que manda afinal.

Minha vida sem mim: Ann é uma batalhadora jovem de 23 anos, que foi precoce em tudo na vida, especialmente na constituição de sua família. Foi mãe aos 17 anos, e novamente aos 19, e vive com o sossegado marido Don e as encantadoras filhinhas em um trailer no quintal da casa de sua perturbada mãe. Trabalhando à noite como faxineira em uma Universidade, ela começa a se sentir mal e, após uma consulta, descobre que tem pouco tempo de vida. Decidida, ela mantêm segredo sobre sua doença e decide preparar um belo destino para sua família.

Laços de Ternura: Aurora e Emma vivem os altos e baixos na relação mãe-filha. Enquanto Aurora, mãe protetora e viúva há alguns anos, não aprova o casamento de sua filha, Emma vive o drama de saber que seu marido a trai. Entre desentendimentos e alegrias, Aurora começa a se relacionar com o ex-astronauta Garrett Breedlove, um vizinho paquerador, enquanto Emma descobre que tem câncer.

Minha mãe quer que eu case: Após ter criado sozinha suas três filhas, Daphne acostumou-se a controlar suas vidas, especialmente a caçula, a única solteira. Com mania de controle, ela faz de tudo para que Milly tenha um relacionamento estável depois de ter sofrido um bocado nas mãos dos homens. Para tanto coloca um anúncio em um site de relacionamentos, sem contar para Milly, e começa a selecionar os pretendentes. Esta situação cria um verdadeiro cabo de guerra entre as duas.

Em Qualquer Lugar: Comédia dramática que trata das complicadas relações entre mãe e filha. Susan Sarandon é Adele August, uma mãe que vive em uma cidade pequena, mas sonha com uma vida mais glamurosa e excitante em Beverly Hills. Em busca desse sonho, ela abandona o marido (Ray Baker) e parte para Los Angeles com a filha, Ann (Natalie Portman), na bagagem. É necessária uma tragédia na família para que Adele seja forçada a agir como uma mãe responsável.

Dawn Anna: Inspirado num caso real, Debra Winger interpreta uma mãe solteira que luta para sustentar e educar quatro filhos. Não bastando essa tremenda dificuldade familiar, ela é atacada por uma doença debilitante, que põe em risco sua mobilidade e fala. Após uma complexa cirurgia, a protagonista tem mais um desafio em sua vida: a recuperação. Tocante, sensível e garantia de lágrimas!

Lado a Lado: O drama aborda a maternidade por outro ângulo: Susan Sarandon é Jackie, divorciada e mãe de dois filhos. Sua vida dá uma reviravolta quando recebe a notícia que está com câncer. Seu marido Luke, vivido por Ed Harris, está para se casar com Isabel, uma mulher mais jovem e bem-sucedida, interpretada pela bela Julia Roberts. Jackie deve, então, preparar seus filhos para sua doença e, ao mesmo tempo, aprender a lidar com o fato de que eles terão uma nova mãe.

A Mão Que Balança o Berço: Claire Bartel é mãe de duas crianças, trabalha fora e ainda tem que cuidar da casa. Ao contratar Peyton Flanders, ela acredita ter encontrado a babá mais que perfeita para ajudá-la com seus afazeres. Na verdade, Flanders planeja a mais fria e cruel vingança. Sem saber, Claire expõe a vida de toda sua família a um enorme perigo. O problema é que Peyton perdeu toda a sua família e, endoidecida, resolve penetrar em outro núcleo familiar como babá e, aos poucos, ocupar o papel de mãe, vivido por Claire.

A Profecia: O filme ganhou refilmagem homônima trinta anos depois do lançamento do original. O drama vivido pela protagonista é ocasionado pelo marido, que, sem querer, adota o verdadeiro filho do diabo e o cria como se fosse o filho biológico, morto no nascimento. Ela cria o pequeno endiabrado sem saber que ele não é o rebento que saiu de seu ventre seis anos antes (idade do personagem quando se passa a maior parte do terror do filme). Coitada!

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Homem de Ferro: Perfeito herói imperfeito

Maio 2, 2008

“Homem de Ferro” foi feito parra entreter, um blockbuster para as massas. Éntretanto  o detalhismo, incomum a filmes do gênero, está presente nas quase duas horas de fita. Eletrizante, sedutor, muito bem amarrado e com um anti-herói impecavelmente interpretado pro Robert Downey Jr., a Marvel estabelece uma nova era para as franquias dos quadrinhos e Fuvreau faz um filme que merece ser visto e revisto.

Cativante até não poder mais, “Iron Man” prende a atenção do começo ao fim. Jon Favreau parece ter sido mesmo a melhor escolha para orquestrar a obra-prima da Marvel, criada em 1963 por Stan Lee. Favreau conseguiu fazer um filme sólido, que agrada a gregos, troianos e até mesmo quem nunca ouviu falar da história.

Em linhas gerais, essa é a saga de Tony Stark (Robert Downey Jr.), inventor e maior fornecedor de armas do governo americano. Sua vida muda o foco após ser capturado por um grupo de rebeldes afegãos. Ferido por estilhaços de granada que se alojam perto de seu coração, Tony recebe a ordem de construir no cativeiro arma poderosa, mas usa suas habilidades para criar uma armadura que permite sua fuga. De volta aos EUA, ele deseja dar um novo rumo às indústrias Stark. Ele passa então a aperfeiçoar uma avançada armadura que lhe propiciará uma força incomum, atuando como o “Homem de Ferro”.

Dosar efeitos especiais e toda a parafernália tecnológica que envolve os personagens, com um ritmo que não cansa e deixa um gostinho de quero mais é “hard work”. As armaduras, os vôos de Stark sobre LA, a luta com o Monge de Ferro, a perseguição dos dois F-22 são o auge desses efeitos. Palmas para Stan Winston (que realmente construiu as armaduras), à Industrial Light and Magic e a um incrível trabalho de edição acompanhado de perto por Favreau.

Mas o que será que fala mais alto na hora de se fazer um filme de super-herói? Alta tecnologia, um roteiro bem amarrado, efeitos especiais, uma trilha sonora inspirada? Tudo isso ajuda, mas o fator humano não pode ser subestimado. O aprofundamento dos personagens, graças à direção e ao roteiro, é o maior responsável pelo sucesso de “Homem de Ferro”.

Tony Stark possui dois lados e até que convive bem com ambos. Às vezes é o playboy boêmio irresponsável e prepotente que só se interessa por dinheiro, belas mulheres, carros velozes e bebidas caras. Em outros momentos é um incrível cientista cuja inteligência vai além dos limites imagináveis por mentes menos favorecidas. A lista de falhas de caráter é grande, mas são elas que criam laços de intimidade do herói com o público, o que causa empatia quando sua crise de consciência o leva a uma redenção, ainda que nada ortodoxa.

Stark incorpora o tal “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”, mas não faz disso um “cavalo de batalha”. Sarcástico e egocêntrico, ele gosta mesmo é de ser um herói movido por adrenalina e passionalidade. A versatilidade, seja do roteiro, da direção ou da interpretação de Downey Jr, promove uma degustação visual incrível para o espectador. A narrativa é muito bem focada, pincelando às vezes de forma sutil e outras nem tanto, aspectos da personalidade de alguns personagens secundários.

Li em algum lugar que Tony Stark/Homem de Ferro terá para a carreira de Downey, o mesmo efeito que teve para a de Johhny “Jack Sparrow” Deep. Concordo! Satrk é um personagem que encanta e seduz de todas as formas possíveis. Robert Downey Jr. prova isso. Seu carisma pesou na hora do público simpatizar com a história do “cara normal” que quer mudar as coisas erradas. Ele é impecável do começo ao fim, seja em momentos de humor ou cenas mais dramáticas. Um ator completo que colocou a carreira em risco por causa do vício em drogas.

Mesmo com tantos elogios, o filme não é perfeito, porém, Favreau não cometeu nenhum erro crasso e eventuais falhas, passam quase que despercebidas. A trilha sonora adota acertadamente bandas como AC/DC e Black Sabbath: rock’n roll never dies! O filme é sustentado por um ótimo elenco de apoio. Gwyneth Paltrow proporciona doçura e um pouco de conteúdo à adorável secretária Pepper Potts, uma personagem notadamente feita para enfeitar. Em futuras continuações deve continuar como par romântico de Stark já que a química entre os dois é absoluta. Terrence Howard, sempre um ator de segundo escalão, serve apenas de “Melhor Amigo”. Suas aparições e diálogos amparam ainda mais o personagem Tony Stark.  No papel de Obadiah Stane, ou Monge de Ferro, está Jeff Bridges, também um ator competente que confere dignidade a um personagem marcante na trama.

As apostas foram altas. As expectativas, muitas. Homem de Ferro tinha tudo para ser uma grande adaptação dos quadrinhos, e é. Poucos heróis fizeram tão bem a transição dos quadrinhos para a telona (Batman, Blade, X- Men, Homem Aranha). No quesito adaptação, já fica para posteridade. É uma nova era para os filmes de super-heróis. E que venha O Incrível Huck, Batman: The Dark Knight e X-Men Origins – Wolverine.