Chega de Saudade tem música, dança e muita paquera. Mas esse não é um filme de balada. Ou melhor, é uma balada pouco convencional, mas muito bem vinda.
A história, focada em uma noite num clube de dança, apresenta uma variedade de personagens com objetivos bem específicos. São narrativas bem amarradas, paralelas e que exploram a comédia, o drama, a solidão e o desejo em um universo que em um primeiro momento, parece ser apenas de dança e música, mas vai muito além.
Esse talvez seja o trunfo de “Chega de Saudade”. É um filme que não fica no “comum”, que busca mostrar – e consegue com muita delicadeza – dar uma nova roupagem a tudo o que já foi feito relacionado às emoções de um tipo muito particular de personagem: os da terceira idade. É preciso dizer que Bodanzky merece aplausos. A diretora foi ousada ao retratar uma parcela da nossa sociedade tão pouco explorada atualmente no cinema, ou explorada de forma tão vulgar.
Enquanto valsam pela pista de dança, cinco núcleos de casais bem específicos e experientes (em idade ou não), estão em busca de “alguma coisa”. Alice e Álvaro. Eudes, Bel e Marquinhos. Todos estão no baile por um motivo: recordar um amor, embusca de novas experiências, curiosidade ou ainda encontrar respostas. Algumas histórias são mais sutis e delicadas, outras escancaradamente intensas, mas todas são retratadas com muita sensibilidade pelos atores e pela direção competente de Laís Bodanzky (O Bicho de Sete Cabeças).
Chega de Saudade é basicamente um filme de experiências. Vivências de pessoas que pelos mais variados motivos, marcam presença em bailes, como o do filme. As situações dos personagens acabam causando identificação para o espectador e o elenco afinadíssimo, junto a um roteiro muito bem amarrado, faz dessa, uma história que prende a atenção e comove pela identificação com a realidade.
A trilha sonora parece ter sido escolhida com o intuito muito mais de refletir os estágios emocionais dos personagense e cresce ainda mais, com a presença de Elza Soares, uma mulher notadamente à frente de seu tempo e que acaba incorporando suas qualidades à tudo o que faz. E faz toda a diferença!
O longa está há um mês em cartaz e já contabilizou mais de 100 mil espectadores. Essa é uma prova de que os nossos filmes estão no caminho certo, cada vez mais fantásticos, atraindo público e conquistando a crítica. Lançado na 40ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Chega de Saudade teve a recepção mais calorosa do evento. O fato poderia ter sido encarado como sinal de “bons ventos”: a própria diretora ressaltou que a reação super positiva do filme.
Na última semana os atores e a direção do longa estiveram em Salvador para a pré-estréia em solo baiano. O evento aconteceu no Foyer do Multiplex Iguatemi, que contou com apresentação de grupos de dança, reproduzindo um pouco da atmosfera do filme e a presença de jornalistas e convidados.
Chega de Saudade é um filme para todo mundo se apaixonar. Os vovôs vão poder relembrar os velhos tempos e os novinhos quem sabe, podem aprender alguma coisa. Diversidade é a ordem! Sem preconceito, sem bobagem e de coração aberto… A poltrona de cinema nunca foi tão convidativa!
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