Sabe aqueles traillers que mexem com a gente e nos deixam com uma vontade danada de ver o filme? Pois é… Assim é Os Reis da Rua: uma obra que fala melhor por minutos. É o famoso “gato por lebre!” Mas mesmo assim é legal!
Não me entendam mal! Eu gostei de Os Reis da Rua. Sério! Apesar de ter curtido, não dá pra ficar sem falar da parte chata e eu sempre achei que um filme de ação deve ser um filme de ação, e não re-visitação de Duro de Matar. Tudo bem que ver o Bruce Willis distribuindo sopapos por aí ainda seja cool, mas nós, eu e você, o público, queremos ver coisas um pouco diferentes. Ou não?
A verdade é que filmes como Street Kings (2007) têm fórmulas prontas: Mocinhos-contra-bandidos-geram-enxurradas-de-bala-e-muito-sangue-e-tudo-acaba-em-pow-bum-soc. E é muito legal, mas para um roteiro escrito a seis mãos (acredite!), acho que faltou uma pitada de criatividade, já que o tema é executado à exaustão. Senão vejamos…
A História
Tom Ludlow (Keanu Reeves) faz o papel de um detetive barra pesada de Los Angeles. Totalmente mergulhado em uma vida auto-destrutiva após a morte da esposa. Entre garrafinhas de vodka e socos em bandidos ele vai sobrevivendo. Durante as ações do departamento, deixa bem claro que é do estilo “pavio curto”. Adepto do “Atire primeiro, pergunte depois”, Ludlow acaba escalado para situações de risco, montando cenários do crime e plantando evidências.
Nesse vai e vem, ele tem que lidar com Terrence Washington (Terry Crews), um antigo parceiro, que anda colaborando com a corregedoria (Hugh Laurie faz o papel do capitão James Biggs), para fazer uma limpa na força policial local, deixando a todos com os nervos à flor da pele. A fim de tirar satisfação com o antigo parceiro, Ludlow o segue até um posto de gás, presencia sua morte e acaba como suspeito. Para limpar sua barra, surge o seu anjo de guarda (leia-se babá), o capitão Jack Wander (Forest Whitaker), ávido por fama, poder e revelar-se-á depois, dinheiro. Tomado por um repentino desejo de justiça e de saber os reais motivos que resultaram na morte de Terrence, junto com o novato detetive Paul Diskant (Chris Evans) Ludlow passa a freqüentar periferias, conhece gângsters e traficantes numa tentativa desesperada de ser um paladino da justiça.
Forçando a barra
Quando o filme estreou, todo mundo mediu as semelhanças com Tropa de Elite. Seja por causa do tema ou pelo apelo e personalidade dos protagonistas. Tenho que concordar. Strett Kings foca no “elogio da loucura” da violência policial. Apesar de bacaninha é notável o esforço do diretor e do roteiro em tornal Ludlow um herói. Herói de que? Primeiro o personagem dá uma de Dexter (serial killer da série homônima), limpando a cidade dos bandidos e blá, blá, blá. Depois cria consciência e quer fazer justiça com as próprias mãos. Pois é amiguinhos… O personagem se enxerga como um justiceiro. O trabalho, ou melhor, a ação, é a sua terapia e que se danem os escrúpulos! A grande discussão é: Deve-se “alardear e romantizar” os policiais brutos, ainda que corruptos e sem nenhum pingo de ética?
Ui! Desperdício de talento
Falar de atuações é andar em terreno minado. Limitado mas sempre esforçado. Keanu Reeves bem que tenta, mas é inexpressivo (O que me lembrou a todo momento o Steven Seagal). Seus papéis em filmes de ação e “água-com-açúcar” fizeram dele um ator que agrada a todos os públicos. Ao contrário de Velocidade Máxima e Constantine, aqui ele não faz muita coisa, seu Tom Ludlow é um ser inanimado. Sem expressões, ele só se sobressai pela quantidade de palavrões que profere por minuto e pela boa forma física. Forest Witaker, o premiado e elogiadíssimo ator, neste papel se repete: Ele interpreta, ainda que maravilhosamente bem, Idi Amin (O personagem que lhe deu o Oscar por O Último Rei da Escócia). Mesmo em um papel fraco e com diálogos escritos por uma criança de 10 anos, ele é magistral! E para quem conhece o Doutor House, o filme dá uma boa oportunidade de vê-lo em ação novamente, só que com roupas diferentes: Hugh Laurie traz o mau-humor, o sarcasmo e a inteligência do médico para o personagem do capitão James Biggs. É… É sempre traumatizant ver bons atores desperdiçados.
Um mingau azedo
O diretor David Ayer (Velozes e Furiosos e Dia de Treinamento) tinha em mãos uma excelente linha de frente: Keanu Reeves, um ator limitado, mas de grandes bilheterias; Forest Withaker, um ator de grandes interpretações e Hugh Laurie, um fenômeno de popularidade nos EUA. Na retaguarda ele contava com um excelente elenco de apoio, uma boa trilha sonora – que no trailler esbanjava personalidade e no filme sumiu – e o prestígio adquirido com seus trabalhos anteriores. E tudo acabou em um mingau azedo, já que os personagens não causam empatia e são tão frios quanto possível. É incrível como não houve a preocupação em criar situações que nos fizessem gostar deles. Eu, pelo menos, não consegui simpatizar com nenhum.
Mas eu já disse. Os Reis da Rua não é um filme ruim. Algumas cenas de ação realmente se destacam. Outro ponto que soma à fita é a presença de Withaker, já que quando aparece em cena, o longa assume outras cores (seu talento é realmente indiscutível). Apesar de ter mais erros que acertos, o filme consegue chegar a um final, ainda que desprezível e sem um pingo de imaginação. Se você quer assistir um excelente filme de ação, corra para as locadoras e confira a quadriologia Duro de Matar. Se você quer um bom filme de ação, assista. Problema seu!









