Posts de Abril, 2008

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Os Reis da Rua: Insosso

Abril 28, 2008

Sabe aqueles traillers que mexem com a gente e nos deixam com uma vontade danada de ver o filme? Pois é… Assim é Os Reis da Rua: uma obra que fala melhor por minutos. É o famoso “gato por lebre!” Mas mesmo assim é legal!

Não me entendam mal! Eu gostei de Os Reis da Rua. Sério! Apesar de ter curtido, não dá pra ficar sem falar da parte chata e eu sempre achei que um filme de ação deve ser um filme de ação, e não re-visitação de Duro de Matar. Tudo bem que ver o Bruce Willis distribuindo sopapos por aí ainda seja cool, mas nós, eu e você, o público, queremos ver  coisas um pouco diferentes.  Ou não?

A verdade é que filmes como Street Kings (2007) têm fórmulas prontas: Mocinhos-contra-bandidos-geram-enxurradas-de-bala-e-muito-sangue-e-tudo-acaba-em-pow-bum-soc. E é muito legal, mas para um roteiro escrito a seis mãos (acredite!), acho que faltou uma pitada de criatividade, já que o tema é executado à exaustão. Senão vejamos…

A História
Tom Ludlow (Keanu Reeves) faz o papel de um detetive barra pesada de Los Angeles. Totalmente mergulhado em uma vida auto-destrutiva após a morte da esposa. Entre garrafinhas de vodka e socos em bandidos ele vai sobrevivendo. Durante as ações do departamento, deixa bem claro que é do estilo “pavio curto”. Adepto do “Atire primeiro, pergunte depois”, Ludlow acaba escalado para situações de risco, montando cenários do crime e plantando evidências.

Nesse vai e vem, ele tem que lidar com Terrence Washington (Terry Crews), um antigo parceiro, que anda colaborando com a corregedoria (Hugh Laurie faz o papel do capitão James Biggs), para fazer uma limpa na força policial local, deixando a todos com os nervos à flor da pele. A fim de tirar satisfação com o antigo parceiro, Ludlow o segue até um posto de gás, presencia sua morte e acaba como suspeito. Para limpar sua barra, surge o seu anjo de guarda (leia-se babá), o capitão Jack Wander (Forest Whitaker), ávido por fama, poder e revelar-se-á depois, dinheiro. Tomado por um repentino desejo de justiça e de saber os reais motivos que resultaram na morte de Terrence, junto com o novato detetive Paul Diskant (Chris Evans) Ludlow passa a freqüentar periferias, conhece gângsters e traficantes numa tentativa desesperada de ser um paladino da justiça.

Forçando a barra
Quando o filme estreou, todo mundo mediu as semelhanças com Tropa de Elite. Seja por causa do tema ou pelo apelo e personalidade dos protagonistas. Tenho que concordar. Strett Kings foca no “elogio da loucura” da violência policial. Apesar de bacaninha é notável o esforço do diretor e do roteiro em tornal Ludlow um herói. Herói de que? Primeiro o personagem dá uma de Dexter (serial killer da série homônima), limpando a cidade dos bandidos e blá, blá, blá. Depois cria consciência e quer fazer justiça com as próprias mãos. Pois é amiguinhos… O personagem se enxerga como um justiceiro. O trabalho, ou melhor, a ação, é a sua terapia e que se danem os escrúpulos! A grande discussão é: Deve-se “alardear e romantizar” os policiais brutos, ainda que corruptos e sem nenhum pingo de ética?

Ui! Desperdício de talento
Falar de atuações é andar em terreno minado. Limitado mas sempre esforçado. Keanu Reeves bem que tenta, mas é inexpressivo (O que me lembrou a todo momento o Steven Seagal). Seus papéis em filmes de ação e “água-com-açúcar” fizeram dele um ator que agrada a todos os públicos. Ao contrário de Velocidade Máxima e Constantine, aqui ele não faz muita coisa, seu Tom Ludlow é um ser inanimado. Sem expressões, ele só se sobressai pela quantidade de palavrões que profere por minuto e pela boa forma física. Forest Witaker, o premiado e elogiadíssimo ator, neste papel se repete: Ele interpreta, ainda que maravilhosamente bem, Idi Amin (O personagem que lhe deu o Oscar por O Último Rei da Escócia). Mesmo em um papel fraco e com diálogos escritos por uma criança de 10 anos, ele é magistral! E para quem conhece o Doutor House, o filme dá uma boa oportunidade de vê-lo em ação novamente, só que com roupas diferentes: Hugh Laurie traz o mau-humor, o sarcasmo e a inteligência do médico para o personagem do capitão James Biggs.  É… É sempre traumatizant ver bons atores desperdiçados.

Um mingau azedo
O diretor David Ayer (Velozes e Furiosos e Dia de Treinamento) tinha em mãos uma excelente linha de frente: Keanu Reeves, um ator limitado, mas de grandes bilheterias; Forest Withaker, um ator de grandes interpretações e Hugh Laurie, um fenômeno de popularidade nos EUA. Na retaguarda ele contava com um excelente elenco de apoio, uma boa trilha sonora – que no trailler esbanjava personalidade e no filme sumiu – e o prestígio adquirido com seus trabalhos anteriores.  E tudo acabou em um mingau azedo, já que os personagens não causam empatia e são tão frios quanto possível. É incrível como não houve a preocupação em criar situações que nos fizessem gostar deles. Eu, pelo menos, não consegui simpatizar com nenhum.

Mas eu já disse. Os Reis da Rua não é um filme ruim. Algumas cenas de ação realmente se destacam. Outro ponto que soma à fita é a presença de Withaker, já que quando aparece em cena, o longa assume outras cores (seu talento é realmente indiscutível). Apesar de ter mais erros que acertos, o filme consegue chegar a um final, ainda que desprezível e sem um pingo de imaginação.  Se você quer assistir um excelente filme de ação, corra para as locadoras e confira a quadriologia Duro de Matar. Se você quer um bom filme de ação, assista. Problema seu!

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Super Herói: O Filme

Abril 25, 2008

Alardeado como o “melhor filme de super-heróis de todos os tempos”, conta a história de Rick Riker, que após ser picado por uma libélula geneticamente alterada, ganha habilidades sobre-humanas, e decide então usar seu super-poderes para o bem ao transforma-se em o Libélula. Seu caminho cruza com o supervilão Ampulheta que usa seu poder para roubar a fonte de vida das pessoas na sua busca incansável pela imortalidade.

Por que vale a pena? Se você gosta e quer rir sem ter motivos esse é o passatempo ideal. Você vai dar gargalhadas sem se preocupar em parecer bobo e de brinde ainda passa por todo o ritual que acompanha as sessões comédia-pastelão: Rir em conjunto é sempre mais gostoso! Além do mais, qualquer coisa com o Leslie Nielsen vale a pena!

É melhor passar longe se… Você é muito sério e não gosta de tirar sarro dos outros! São 89 minutos de pura besteira! Ah, e de quebra tem sempre aquela pessoa que não pára de rir de coisas sem sentido! Pode ser que você acabe perdendo a paciência!

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Descarrilhado

Abril 17, 2008

O premiado diretor de Hotel Ruanda tinha em mãos uma história incrível e passional, mas pisou no roteiro e perdeu a mão na condução de um drama que aborda assuntos como ódio, vingança e amor.  Apesar dos pesares, nada tira o brilho de Traídos pelo Destino (Reservation Road), que encontra em seus atores principais, a salvação para não ser esquecido.

Ao abordar sentimentos de culpa e ódio em Traídos pelo Destino, o diretor Terry George faz um filme sensível que lida com o pior do sentimento humano, ao falar sobre culpa, família e vingança. Ao perder o filho em um acidente de carro, o professor Ethan Learner (Joaquin Phoenix) e sua esposa Grace (Jennifer Connelly), acabam contratando advogados para descobrir o culpado pelo crime, já que a polícia não consegue dar andamento ao processo. Em uma incrível (e por que não inverossímil?) manobra do destino, quem assume o caso é o advogado Dwight Arno (Mark Ruffalo), o assassino (mesmo que por acidente) do filho do casal.

Passional e obsessivo, Ethan busca pelo culpado pela morte do pequeno Josh de maneira arbitrária, seja nas ruas, na internet ou em sua própria mente, remoendo mil vezes o sofrimento que lhe foi infrigido. De forma não menos diferente age Dwight, um homem dominado pelo remorso e pelo medo. Enquanto um vive atormentado pela culpa, o outro vive atormentado pela sede de justiça, mesmo que com as próprias mãos.

Joaquin Phoenix faz o papel do pai de família inconformado. A raiva e sensação de impotência diante da morte de seu primogênito, chegam à beira da loucura, alimentada pelo contato com outros pais que também perderam seus filhos da mesma maneira. Phoenix é um ator pronto, completo, interpreta qualquer papel e é essa característica que transforma o personagem Ethan, em um grande momento da sua impecável carreira. Jennifer Connelly, inexpressiva em outros papéis, aqui consegue passar a dose exata de emoção à sua Grace. Não gosto de Mark Rufallo, para mim seu melhor papel foi em Tentação (We don’t live here anymore), mas em Traídos pelo Destino ele está irretocável. Sua interpretação é enérgica, comovente e sincera.

O roteiro do filme, escrito a quatro mãos pelo diretor Terry George (duas vezes indicado ao Oscar de Roteiro por Em Nome do Pai e Hotel Ruanda) e John Burnham Schwartz (autor do romance “A Estrada da Reserva”, em que o filme é baseado), não aprofunda os diálogos em questões sociais ou jurídicas (apenas as cita) e transfere a responsabilidade do longa para as atuações dos personagens principais da trama. E talvez, seja neste ponto que o filme se perca em apenas mais uma história pessoal de “olho por olho…”.

Verdade é que a história caminha para mostrar a luta obsessiva de um pai por justiça, e a corrosão que a culpa causa no outro pai, o assassino. Cada um, à sua maneira, busca pela verdade e convive com a realidade que não lhes é agradável. Mas a vida cobra respostas e os dois acabam colidindo em um desfecho que impressiona pela sinceridade.

A crítica não gostou do filme. Dizem que foi uma tentativa forçada do diretor e dos atores em abocanhar alguns “Oscar”. Não sei! Traídos pelo Destino não é nenhuma obra-prima, mas também não é uma produção descartável.  Tem seus méritos… E eles são justos!

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Na Natureza Selvagem: Quando há uma busca

Abril 16, 2008

É raro assistir a um filme legítimo em sua proposta. Para que um filme dê certo é preciso que roteiro, direção e atuação andem no mesmo ritmo, em sintonia. E é isso que acontece em “Na Natureza Selvagem”, um longa que proporciona uma experiência que todos deveriam sentir, pelo menos uma vez. Tocante. Emocionante e Obrigatório.

Chris (Emile Hirsch) era um promissor jovem de 23 anos. Suas idéias, tão próprias quanto ele mesmo, o levaram no início de 1990 a abandonar tudo o que conhecia em busca de um novo mundo. Com apenas uma mochila e muitas perguntas, ele tinha um único sonho: ir até o Alasca em busca de isolamento. Como ele ia chegar lá, física e psicologicamente, era a grande descoberta que queria realizar.

Como Alexander Supertramp, ele viajava destituído de todo os aspectos materiais possíveis, vivendo como queria e seguindo os pensamentos de escritores como Tolstói, Thoreau e Jack London. Cada dia era uma coisa nova, cheia de possibilidades, assim como as pessoas que conheceu no meio do caminho: um casal de meia idade (Catherine Keener e Brian Dierker), um fazendeiro boa praça (Vince Vaughn); um viúvo solitário (Hal Holbrook) e uma garota hippie (Kristen Stewart).  Infelizmente, a aventura não terminou bem, e dois anos depois, seu corpo em decomposição foi encontrado por caçadores no Alasca.

Esse é o quarto longa de Sean Penn como diretor (que também assina o roteiro). O ator, que sempre interpreta papéis densos, não decepciona ao fazer uma homenagem a tudo o que simboliza a liberdade e o espírito livre que habita em todos os nós. Após dez anos de tentativas, ele conseguiu ganhar a confiança da família McCandless e realizou um filme sensível sobre os sonhos de uma pessoa comum, como eu e você. Penn levou muito tempo em um trabalho de pesquisa extremamente profundo sobre a vida de Chris, chegando inclusive, a encontrar muitas das pessoas descritas no livro homônimo de Jon Krakauer, onde o filme é baseado.

Na Natureza Selvagem (Into the Wild) é narrado pela irmã do protagonista, Carine McCandless, interpretada por Jena Malone (Orgulho e Preconceito). Ela nos apresenta a vida de Chris, como ele entendia o mundo que o cercava e tudom o que, de certa forma, nos possibilite entender melhor os motivos que o fizeram tomar certas decisões radicais. A fita toca fundo em muitas feridas, principalmente na familiar. Seus pais (William Hurt e Marcia Gay Harden) são os estereótipos da família falsa e debilitada. Um grande câncer para o protagonista, e uma das principais razões de sua “fuga” ou como queiram, sua “busca”. Tudo isso é mostrado em ordem cronológica e intercalada ao cotidiano do jovem com a natureza selvagem que tanto buscava.

Há que se destacar a fotografia de Eric Gautirer, o mesmo que trabalhou no belíssimo Diários de Motocicletas. Muitas das cenas foram rodadas nos lugares por onde Chris passou (Dakota do Sul, Arizona, Califórnia e Alasca), onde se destaca a luminosidade natural. A trilha sonora, brilhantemente composta por Eddie Vedder, contribue para nos deixar ainda mais simpáticos com os problemas existências do jovem. Aliás, Emile Hirsh é um achado excepcional, elogiá-lo é voar em círculos. Sua atuação é impecável, assim como a direção de Penn. Definitivamente, esse é um filme em que absolutamente nada é gratuito.

Confesso que sempre tive uma queda por histórias reais. Acho que de algum modo, sempre acabo me identificando com elas, seja pela veracidade ou pela possibilidade de que “tal coisa” também possa acontecer comigo. A proximidade com uma realidade improvável assusta e ao mesmo tempo, fascina.  Afinal, a procura de liberdade, de felicidade e a fuga de uma sociedade histérica e degenerativa é uma busca constante do ser humano. Quer ele pense ou não a respeito disso.

Arrogante? Pretensioso? Impulsivo? Covarde? Christopher pode ter sido tudo isso, ou nada disso. Depende do ponto de vista que preferimos adotar para entender as razões que motivaram um jovem que poderia ser e ter o quisesse a optar por uma vida totalmente diferente daquilo que se esperava.  Christopher McCandless foi um radical, mas à sua maneira, ele alcançou o que pretendia.

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À Espera de Blindness

Abril 15, 2008

Se há um filme que já sofre pressão desde sua idealização é Blindness – Ensaio sobre a Cegueira.  Por ter como base a obra homônima de José Saramago, Blindness tem atraído olhares curiosos de fãs do escritor e fãs de cinema. A bola da vez segue o mesmo caminho de expectativas que se formou em torno do inexpressivo “O Amor nos Tempos do Cólera”, de Mike Newell, baseado também em uma obra homônima (Gabriel Garcia Márquez).

 

A adaptação é o quinto filme do diretor brasileiro Fernando Meirelles (Cidade de Deus, O Jardineiro Fiel) e o segundo em terras estrangeiras. O elenco é feito de premiados: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael García Bernal, Danny Glover, Alice Braga e Sandra Oh. O filme foi rodado em Ontário, no Canadá e conta a história de uma epidemia de cegueira que prolifera-se por uma cidade moderna, resultando no colapso da sociedade.

Com uma obra profundamente contestadora em mãos, atores queridinhos da crítica aos montes e com todos os olhares voltados para si, Meirelles tem perdido o sono. Cuidadoso e extremamente meticuloso o cineasta tem penado com o filme desde o início. O ator Daniel Craig (007 – Casino Royale), primeira opção para viver o médico que perde a visão, pulou fora. Depois, dúvidas sobre as locações e por último, as audições feitas para saber como o público reagia ao filme, não foram lá tão empolgantes. Nem lá, nem cá!

Para criar uma aproximação com os fãs, o diretor escreve desde agosto de 2007 o Blog de Blindness, que, apesar de não seguir uma regularidade é bem bacana. O dia-a-dia das filmagens, as dificuldades de uma produção como essa, a reação dos atores e a tensão da montagem, “causos” de bastidores entre outras coisitas. Para quem é maluco como eu, e não vê a hora de ver o filme prontinho, o blog é um bálsamo para tanta ansiedade! Ou não!? “Se pode olhar, veja. Se pode ver, repara”.

Esse é um filme difícil. Meirelles ainda não chegou a uma edição final e o tempo está se esgotando. Com cheiro de Oscar, Blindness é só expectativas. … De todas as partes! Por enquanto, o jeito é ficar ligado no blog de Meirelles  e manter a esperança de que o filme se mantenha fiel às sutilezas do livro, à acidez de Saramago e a todas as metáforas contidas em mais de 300 páginas.

Blindness deve estrear no Festival de Cinema de Cannes (maio/2008). A previsão de estréia para os EUA e para o Brasil é para Setembro de 2008.

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Shine All Night: Velhos, mas não antigos

Abril 9, 2008

A maior banda de rock’n roll do mundo ganha homenagem de um dos melhores diretores do mundo. Para fãs e não-fãs, o documentário “Shine All Night” impressiona pela energia de seus realizadores e consegue agradar a todas as idades. Intimista e marcante!

Martin Scorsese fez um filme de fã para fã. A missão era captar a essência de uma apresentação ao vivo dos Stones, e isso, só um admirador de verdade poderia fazer. Eles estão há muito tempo na estrada, mas precisamente desde 1962 e estão velhos. São verdadeiros “Dinossauros do Rock”, mas nunca esse termo foi usado de forma tão oportuna. Em “Shine All Night”, fica claro que o tempo pesou para o grupo inglês The Rolling Stones, mas apenas na superfície. A energia, o jeito polêmico e a ironia continuam à serviço do Show Business, e em muito boa forma.  

Na verdade, o filme/documentário se parece mais com uma homenagem, já que em nenhum momento são feitas revelações escabrosas, críticas capciosas ou vemos a ironia pesada que sempre caracterizou a banda. Intercalando músicas  com antigas imagens da banda desde a década de 60, o diretor reafirmou o que todo mundo já sabe. Os Stones são a maior lenda da música mundial. E ponto!

O filme começa nos ambientando à correria característica de espetáculos como esse, grandes produções onde os artistas não querem ser incomodados e onde os diretores querem as melhores tomadas, sempre incomodando. Hilárias as cenas em que Martin desesperadamente deseja saber o set list do show, tenta adivinhar, mas Mick só entrega os nomes uma hora antes do show. Outro momento histórico é a reação dos Stones ao serem apresentados à família e amigos do ex-presidente americano Bill Clinton. Impagável!

As performances dão inveja a qualquer artista, de qualquer idade. É incrível como Jagger se movimenta pelo palco! Sua presença é algo absurdo e Richards não fica atás. O “Jack Sparrow” da música faz o que quer e se diverte como nunca.  Carisma ele tem de sobra, visível enquanto entoa “You Got the Silver” e “Connection”. Prova de que se Jagger é a voz dos Stones, ele é o espírito. Para se firmar no moderno, o grupo recebe Jack White, da banda White Stripes (Loving cup) e Christina Aguilera, em uma apresentação pra lá de sensual em “Live with me”, onde Jagger re-afirma sua condição de sexy symbol. Porém a parceria mais hipnotizante é com o blueseiro Buddy Guy, em um cover de “Champagne and Reefer”. Irretocável.

Scorsese inseriu entrevistas antigas dos “Vovôs Stones” em meio a interpretações de grandes canções que fizeram história e grande parte salienta a longevidade do grupo. O diretor escolheu situações-chave para evidenciar a aura de magia dos quatro britânicos: controvérsias com religião, polícia e drogas, além da perseguição da mídia e a guerra de egos entre os integrantes. Martin soube equilibrar o antigo e o novo, com ajuda da fotografia premiada de Robert Richardson e da edição de David Tedeshini. Os três parceiros de longa data transformam o “All Shine…” em espetáculo visual, guardadas as devidas proporções, é claro!

Filmado em 2006, durante o show comemorativo de 45 anos da banda, no Beacon Theater (NY), o documentário/filme/musical somente prova que Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood e Charlie Watts sobreviveram  a todos os clichês do rock. Scorsese se coloca como um comum, e não como o grande diretor que é. Ponto para ele! Os Rolling Stones já venderam mais de 200 milhões de álbuns no mundo inteiro. Não precisam passar mais nada para ninguém. Para eles, agora rock é só diversão. Ponto para nós!

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Maré: Romeu & Julieta com cara de Brasil

Abril 7, 2008

Música, dança e violência. O tripé em que “Maré, Nossa história de amor” se sustenta, mostra o que o nosso país é e o que gostaríamos romanticamente que fosse.

Analídia e Jonatha são os protagonistas de Maré. Adolescentes moradores da favela carioca que dá nome ao filme, se apaixonam durante um baile funk. O refúgio do casal são as aulas de dança da ex-bailarina Fernanda, onde conseguem se manter a salvo da disputa de duas gangues locais e alimentam o desejo de viver outra realidade.

Mas nada é simples! As facções dominam a favela e obrigam cada morador a se posicionar em um lado, na velha lei do “Quem não está comigo, está contra mim”. Enquanto Analídia pertence ao grupo intitulado “Vermelhos”, Jonatha é amigo de Dudu, líder dos “Azuis”.  Tal como os Capuletos e Montechios da fictícia cidade de Verona, na favela de Maré, os “lados” colidem ao tempo em que o amor dos dois jovens é consumado.

Sem nenhuma vergonha, Maré é inspirada em Romeu & Julieta. Universal, o conto de Shakespeare é sempre uma inspiração, seja para quem faz ou para quem vê, colocando o amor como motor das ações mais altruístas e também das mais inconseqüentes e egoístas do ser humano. Sentimentos enfatizados no longa de Lúcia Murat.

Os atores Cristina Lago (Analídia) e Vinícius D’Black (Jonatha) compuseram seus personagens de forma impressionante. Já Babu Santana esbanja confiança e carisma com seu Dudu, inclusive trabalhou em produções como “Cidade de Deus” e “Redentor”. Outro destaque fica por conta da atriz Marisa Orth, que faz o papel de uma professora de dança. É bom vê-la despir-se de seus contínuos personagens caricatos. O trunfo de Murat é abordar um assunto utilizado à exaustão, de uma forma diferente. Ao sair do lugar-comum, faz uma releitura do contexto social das favelas cariocas. O fato de se filmar um musical ali, merece pelo menos, um pouco de curiosidade por parte do espectador.

Em alguns momentos “Maré” assusta o espectador pela quantidade de referências: seja na música, seja nas danças, e não obstante, nas comparações com produções semelhantes: “Turma do Gueto”, “Ó, Paí Ó” e Jump it. Apesar de alguns problemas de continuidade e da chatice de algumas cenas coreografadas, o filme vale o ingresso.

“Maré” fala de esperança. É um belo exercício de fé: Fé de que as coisas podem mudar, podem ser melhores, podem dar certo. Um filme para ser ver com os olhos, sentir com o coração e refletir. Em tempos de High School Musical é bom ver algo real, para variar!

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Atos que desafiam a morte: Desperdício

Abril 3, 2008

Um título infeliz e bons atores desperdiçados. Assim é “Atos que desafiam a morte”, mais um filme que aborda o mundo da mágica, com uma trama fraca e cansativa.

Harry Houdini foi um dos mais famosos mágicos dos Estados Unidos. Com habilidades impressionantes, ele era conhecido por realizar números nos quais se libertava não só de algemas, mas também de correntes e cadeados, dentro de caixas, dentro de tanques fechados; dentro e fora d’água. Conhecido como o “super tórax”, fez um sucesso enorme e ninguém até hoje conseguiu desvendar seus truques por completo, mesmo depois dele ter escrito boa parte dos segredos em livro. Houdini também atuou desmascarando pessoas que alegavam possuir poderes sobrenaturais.

Interessante não é mesmo? Mas muito pouco disso aparece em “Atos que desafiam a morte”, que romantiza a obsessão do mágico em desmascarar aqueles que alardeavam dons mediúnicos nos quatro cantos do mundo. Houdini (Guy Pearce) quer provar, cientificamente, se existe vida após a morte. Para isso faz um desafio: Oferece dez mil dólares a quem revelar as últimas palavras  de sua mãe em leito de morte. E quem aparece para faturar essa barbada? A sedutora, bela e falsa médium Mary McGarvie (Catherine Zeta-Jones) e sua filha Benji (Saoirse Ronan). Tem-se então um “romance” frio entre Harry e Mary, enquanto a esperta Benji tenta lidar com a rejeição da mãe e a realidade dos fatos que se apresentam.

“Atos que desafiam a morte” levou quase dez anos para ser escrito, mas mesmo assim, é uma sucessão de enganos . Para começar, a narração inicial de Benji é desnecessária, já que não acrescenta nada à trama. Os diálogos entre Houdini e Mary são rasos e não causam empatia no espectador. Guy Pearce, um ator magistral, tenta, sem sucesso, dar um pouco de coesão e vida à seu personagem. O “x” da questão é que o ilusionista se perde dentro de uma história risível e sem graça. Em 97 minutos de projeção, não há um só momento de empolgação ou veracidade.

A fotografia, escura e mal cuidada é uma agressão ao espectador, assim como o figurino. A trilha sonora é completamente insossa. É quase impossível acreditar que atores como Timothy Spall, Pearce e Zeta Jones ingressaram nesse projeto. Uma perda de tempo!

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Jumper: Cool, mas nem tanto!

Abril 3, 2008

Este poderia ser um grande filme de ação, mas não explica nada e se firma apenas nos efeitos especiais. Jumper é apenas leve entretenimento.

Para entender: Jumper é um indivíduo que tem o poder de saltar para qualquer lugar, quebrando a barreira de tempo e espaço, ou seja, se teletransportar. Essa característica é uma espécie de anomalia, que no filme, infelizmente, não é explicada.

Nos primeiros minutos de “Jumper”, somos apresentados à infância de David Rice, um jovem de passado problemático que sofre com a ausência da mãe e a aspereza do pai. Após passar por uma situação de extremo risco, Rice descobre que detêm o poder de se teletransportar. Aos poucos ele tentar compreender esse dom e vive uma vida sem limites até encontrar os Paladinos, que na figura do enigmático Roland, têm como missão, acabar com todos os Jumpers.

Nessa cruzada, nosso personagem encontra o rebelde Griffin, também um Jumper, que possui mais experiência e uma visão mais completa do que significa ser “Um Saltador”. Juntos, e por razões diferentes, os jovens unem forças na guerra contra Roland. No meio da história, David reencontra um amor de infância, Millie, e com ela tenta injetar um pouco de sentimento verdadeiro em sua vida.

O diretor Doug Liman (Sr. e Sra. Smith e A Identidade Bourne) faz, perdoem-me o trocadilho, um filme cheio de buracos no tempo. Em 88 minutos, muitas perguntas ficam sem respostas e os conceitos, que poderiam ser explorados de forma incrivelmente inteligente, transformando o filme é um novo Matrix,  ficam no ar. 

A locações escolhidas para o filme (Roma, Egito, Inglaterra), os efeitos especiais e a competentíssima direção de arte, possibilitam a “Jumper” seus momentos máximos. Em filmes como esse, temos a noção de quando a edição é importante. Hayden Christensen (David Rice) e Rachel Bilson (Millie) decepcionam: Ela totalmente inverosímil, e ele repete a mesma ausência de expressões de Guerra nas Estrelas. Quem se destaca na trama é o jovem Jamie Bell (o garoto dançarino de Billy Elliot), que vive o impetuoso Griffin. Samuel L. Jackson, um show à parte, faz o que sabe melhor: o bad guy.

O saldo é que “Jumper” cumpre bem seu objetivo: divertir e entreter. Na verdade, até que equilibra suas falhas e acertos. E isso é alguma coisa, já que ao que tudo indica, vem continuação por aí. O longa é uma ótima opção para quem quer passar um tempo tranqüilo e pensar pouco, acompanhado de um bom saco de pipocas, é claro!