Acho que um dos grandes trunfos do filme é o trailler, que explora em um só tempo ação, medo e deixa a gente com aquela pergunta… E agora? Pergunta essa, que o filme não responde!
Não é a primeira vez que tentam matar o presidente dos Estados Unidos. E também não é a última vez que usam o terrorismo como pano de fundo. Para os americanos, a América sempre será o país dos sonhos, mas tem gente que sempre vai achar os EUA o câncer do mundo. Mas não se enganem! Apesar de ter um tema vasto e denso para trabalhar, o diretor não aprofunda questões políticas, centrando-se apenas a uma trama mirabolante.
Em Salamanca, na Espanha, uma multidão espera a chegada do presidente americano Ashton (William Hurt), para um encontro de líderes ocidentais e do mundo árabe contra o terrorismo. Com ele, seus dois seguranças: Kent Taylor (Matthew Fox) e Thomas Barnes (Dennis Quaid) estão atentos a tudo o que acontece em volta, quando inesperadamente o presidente leva dois tiros, e na sequência, duas explosões acontecem. A partir daí instala-se o caos e também a adrenalina prometida em torno do filme.
A idéia do roteirista Barry Levy era desenvolver a partir desse fato, perspectivas diferentes sobre um mesmo episódio: o agente atormentado Thomas Barnes, a mandona chefe de notícias Rex Brooks, o policial espanhol Enrique e o insuspeitável turista americano Howard Lewis (Não, isso não é uma dica!)
Existem três fatores que fazem valer a pena gastar dinheiro para ver “Ponto de vista”: a perseguição de carros totalmente inverossímel, a cena de invasão ao hotel onde o presidente americano está e a discussão sobre ética jornalística entre a personagem de Weaver e a da repórter estrelada por Zoe Saldana (Crossroads e Sob a luz da fama). Nesses aspectos, o filme cumpre seu papel: soa como verdadeira fita de ação boba e super cool que é!
Dennis Quaid, Forest Whitaker, William Hurt, Sigourney Weaver e Matthew Fox são nomes que sustentam a bilheteria do longa, mas não fazem muita diferença. Apesar dos Oscarizados Hurt e Withaker, do ascendente galã Fox e do descendente galã Quaid, não há nenhuma atuação expressiva. O que há, isso para dar e vender, são esterótipos, clichês e caras e bocas.
Seja lá o que a produtora deste filme investiu, já teve retorno: o faturamento foi de 24 milhões de dólares apenas no final de semana de estréia. Bons números para o diretor estreante Pete Travis. O elenco de famosos e uma história interessante (embora não tão bem filmada e cheia de buracos no roteiro), seguram um dos filmes mais legais deste mês, mas não o faz impecável. O exagero e as repetições cansam, mas por outro lado, não comprometem. Apesar da falta de respostas à muitas perguntas e da insossa trilha sonora, “Ponto de Vista”, no final, é bom!











