Posts de Fevereiro, 2008

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“Os Donos da Noite” é uma homenagem

Fevereiro 24, 2008

Na última semana um super lançamento chegou às prateleiras das locadoras: o filme “Os Donos da Noite”. Uma Nova York de 1988 é o pano de fundo para a história de Bobby Green (Joaquin Phoenix), o gerente de uma badalada discoteca local, freqüentada por gângsters e traficantes.

Apesar do contato direto com a escória, Bobby mantêm uma distância segura desse mundo, pois seu pai e irmão são policiais. Com a guerra declarada entre a máfia e polícia, Bobby precisa tomar partido de um dos lados. Quando seu irmão é gravemente ferido ele decide arriscar o que tem pelo que é certo.

James Gray faz de “Os Donos da Noite” uma homenagem honesta aos antigos filmes de gângsters e dá a Joaquin Phoenix um dos melhores momentos de sua carreira. Em doses nada homeopáticas, o diretor apresenta o estilo de vida de Bobby seu desprezo pela forma de vida da família, e ao mesmo tempo, disseca os fracassos da polícia frente ao tráfico de drogas. A construção da história em torno desse personagem é feita de forma nada sutil, porém crível. No final o protagonista agoniza mais como um justiceiro moldado pela dor e pelo ressentimento, do que qualquer outra coisa.

Conta pontos a escolha do elenco. Robert Duvall é sempre competente e confere ao seu personagem a amargura necessária do pai que embora ame o filho, se ressente de sua conduta.  Walbergh, repete (e muito bem) o papel que fez em Os Infiltrados. Até mesmo Eva Mendes se sai bem em algumas cenas, mas o filme é todo de Joaquin Phoenix, já um ator completo.

Li em algum lugar que “Os Donos da Noite” lembra a saga de “O Poderoso Chefão”. As nuances estão lá, às vezes mascaradas, e outras nem tanto: Bobby interpreta Michael Corleone e tem direito até a sua Kay. Burt Grusinsky também tem um final digno de Don e até mesmo Sony, tem seu representante em Joseph… E tudo converge para o fim apoteótico e previsível, mas honesto. E talvez, esse seja um dos méritos do trabalho de James Gray: a homenagem, sem ser descaradamente óbvio. E dá certo!

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Duro de Mater 4.0

Fevereiro 19, 2008

É besteira perder tempo em uma abordagem diferente das utilizadas pela crítica – especializada e também não-especializada – para falar sobre Duro de Matar 4.0. É verdade que uma mistura de impossível com inverossímil ainda dão o tom da franquia e como todo bom filme de ação, os excessos brotam.

Após o ótimo Duro de Matar – A Vingança” (1995), John McClane (Bruce Willis) volta mais casca grossa do que nunca. Incubido de acompanhar o hacker Matt Foster (Justin Long) até Washinghton, McClane se vê às voltas com um ataque terrorista meio diferente. Dessa vez a trama se desenrola através da informática. Controlando as comunicações, transporte e energia dos EUA, os vilões ameaçam causar um gigantesco blecaute de proporções inimagináveis.

Tudo isso serve de pano de fundo para balas perdidas por todos os lados, explosões, lutas de kung-fu, aviões-caça em plena cidade, pirataria e até mesmo uma pontinha pra lá de especial com Kevin Smith. O roteiro bem amarrado (de Mark Bomback) facilita o trabalho do diretor Len Wiseman, que ganha pontos na edição, já que a comédia, a violência, a imaginação solta dos produtores estão lá, cada um na sua medida.

Apesar da idade (doze anos depois), John continua o mesmo: os cabelos se foram e os pés de galinha surgiram, mas a língua afiada e a mira certeira continuam intactas. Aliás, que John McClane era um super personagem todo mundo já sabia. Mas dessa vez fizeram dele uma espécie de Highlander pronto não para fazer justiça a qualquer preço, mas sim, a postos para disparar sua arma e piadinhas sarcásticas à menor menção de perigo. Bruce Willis e Justin Long fazem bonito, conferem um pouco de dignidade nas cenas mais mentirosas e Maggie Q traz o contraponto feminino necessário para quebrar a testosterona.

Ok! É uma mentirada sem fim, mas o que seria dos filmes de ação sem um pouco de imaginação? É cinema! A verdade é que Duro de Matar é uma franquia pipoca. É filme mentira, filme arrasa quarteirão, filme de ação bem barulhento e de quebra tem um anti-herói bacanérrimo. Nem de londe esse Die Hard 4.0 chega aos pés do antecessor, mas tem brilho próprio e a gente mata a saudade.

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Original ele não é!

Fevereiro 18, 2008

É incrível o desejo sem-fim dos americanos em destruir seus símbolos máximos. Cloverfield – O Monstro serve bem para ilustrar essa idéia, assim como seus antecessores: Godzilla, Independence Day etc…  A idéia é a mesma: sair destruindo tudo! E como Hollywood não tem mais idéias bacanas, agora resolveram tremer a câmera durante 80 minutos e embrulhar os nossos estômagos com uma historinha mais ou menos.

O responsável por essa massa de bolo solada é J.J. Abrams (o nome por trás de Lost, Alias, Missão Impossível III e agora Jornada nas Estrelas), que atua como produtor e imprime um pouco de dignidade a uma história bem manjada.  Sua criatividade e sorte levaram o filme a ser um grande hit na internet, e essa foi, sem dúvida, sua melhor divulgação. Cloverfield custou U$$ 26 milhões e apenas na estréia faturou U$$ 46 milhões.

O pano de fundo da história é a partida de Rob para o Japão. Seus amigos, doidos por birita de graça, fazem uma festa surpresa para o sortudo. E é então que tudo acontece: De repente uma explosão assusta a todos e bem rápido, o pânico toma conta dos personagens quando bolas de fogo começam a atingir prédios, automóveis e quarteirões inteiros. Destaque para a explosão que atinge a Estátua da Liberdade, cuja cabeça atrai curiosos, que em uma situação normal não perderiam tempo olhando para um pedaço de pedra, enquanto um ser desconhecido acaba com a cidade. Mas… Vamos dar um desconto! É cinema!

A partir daí o longa é uma sucessão de maluquices, enquanto os amigos tentam sobreviver ao monstrengo desconhecido. Tem de tudo em Cloverfield – O Monstro: clichês absurdos, diálogos sem pé nem cabeça, explicações inexplicáveis e um clímax que vai de lugar nenhum a nada.  A única coisa certa em 1h20m é que Cloverfield arma uma confusão danada!

Com características de documentário, o filme só inova – e olhe lá – na forma de contar a história e na divulgação de si mesmo. Os diálogos são risíveis, os atores são ruins e o monstro, até ele, não acrescenta nada, absolutamente nada ao longa. O saldo final é que um pouco de diversão vazia não faz mal a ninguém.

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O Caçador de Pipas: O tal “fazer isso mil vezes…”

Fevereiro 14, 2008

A amizade sempre foi um tema que rendeu bons dividendos ao cinema. A fórmula amigos + música tocante + separação + redenção + lição de moral sempre deu certo!

Enquanto os escritores e roteiristas querem mostrar a verdade das relações dos personagens, os diretores querem sensibilizar os espectadores a todo custo e lançam mão de artifícios pesados para isso. Em O Caçador de Pipas não é diferente.

Amir e Hassan são dois garotos que vivem em uma Cabul da década de 70. Enquanto Amir pertence a uma família abastada e leva uma vida confortável, Hassan é humilde e vive ajudando o pai em tarefas domésticas na casa dos patrões. Amigos inseparáveis, eles vivem aventuras e possuem uma relação baseada na total abnegação de Hassan com relação ao amigo.  Enquanto um é passivo, envergonhado e omisso, o outro é valente e fiel.

Após vencerem o maior torneio de Pipas local, um incidente terrível envolvendo o detestável jovem Assef, acaba por determinar uma série de mudanças na vida dos amigos. Repentinamente Amir começa a se afastar de Hassan e com a invasão dos Russos, seguido da ocupação do governo Talibã, os dois seguem por  caminhos diferentes. Caminhos que só se reencontram no presente, seguido de revelações inesperadas e uma dolorosa redenção por parte de um dos protagonistas.

O Caçador de Pipas é baseado na obra homônima do estreante Khaled Hosseini, que já teve a obra traduzida para 29 países. O livro rodou o mundo e chegou às telas pelas mãos do competente Marc Forster (Em busca da Terra do Nunca e A última Ceia), que sabe sempre imprimir doses de humanidade aos seus protagonistas. A concepção do roteiro – fiel à história original – leva a assinatura da produtora de Steven Spielberg (Dreamworks).

Além da incrível Direção de Fotografia, duas coisas chamam a atenção em O Caçador de Pipas: A ingenuidade e sensibilidade dos protagonistas e a forma como é retratado o remorso que toma conta do coração de Amir e o direciona para um ápice que, se não é o mais sensato, pelo menos é o mais adequado.

Mais que personagens, Amir e Hassan representam estereótipos com os quais nos deparamos, ou ainda iremos, algum dia.  O primeiro retrata cada um de nós e o segundo, a utopia do que queremos ser… Em O Caçador de Pipas aprendemos que o bom da amizade é sempre o outro!

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Uma ode à todos os conceitos

Fevereiro 10, 2008

Musicais são realmente coisas cansativas. “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”, entretanto, é uma exceção. Na verdade é uma obra-prima do diretor Tim Burton, já que é notadamente uma tarefa para poucos, conseguir melhorar uma coisa que já nasceu perfeita.

Em uma Inglaterra do século XVIII, Johnny Deep é o inocente Benjamim Barker, um barbeiro recém-casado, condenado à 15 anos de prisão pelo inescrupuloso Juiz Turpin (Alan Rickman) e seu comparsa  Beadle Bamford. Após cumprir sua pena, ele volta à Londres com planos de destruir aquele que o separou de sua vida feliz.

Barker adota então o pseudônimo Sweeney Todd e acaba por formar uma macabra parceria com a sinistra Sra. Nellie Lovett (Helena Boham Carter), uma doceira falida, mas ideal para ajudá-lo em sua sede de vingança. As navalhas que antes serviam para aparar as barbas dos homens honrados de Londres passam a ser instrumentos de justiça. E os corpos assassinados passam a rechear as fracassadas receitas da quituteira.

Mais adiante, porém não menos importante, segue a história paralela de Johanna, filha de Todd (agora uma jovem dama cobiçada por Turpin) e do marinheiro Anthony, que conta com o amigo para ajudá-lo a resgatar de fugir com a moça. Mas nada sai como previsto: nem para o jovem casal, nem para o vingativo barbeiro…

Deep imprime a Todd um equilíbrio entre a sensibilidade de um homem apaixonado, a amargura de um homem sofrido e o ódio de um homem que quer a sua vingança. Cantar mesmo ele não canta nada, mas é afinadinho. Assim como Bonham Carter, uma triz que merece aplausos e que nunca foi reconhecida pela excelência com que trabalha. Aliás, a química entre os dois rendem comicidade em vários momentos do filme, assim como a participação do ator  Sacha Baron Cohen como Signor Adolfo Pirelli, um barbeiro oportunista, que acaba sendo o primeiro alvo de Todd.

Falar de Tim Burton é ficar dando voltas nas mesmas coisas. Sua direção de arte e fotografia (conceitual ao extremo) é quase sem erros. Stephen Sondheim fez realmente um trabalho de mestre ao adaptar o clássico do Barbeiro assassino para o cinema, uma história por siso, já interessantíssima. Inovador e ousado, Burton soube dosar o cômico e o macabro com o sangue da vingança de uma história que parece ser real. Reza a lenda que Todd/Baker realmente existiu e que teria matado mais de 160 pessoas na Londres do século 18.

Ah… A despeito de todo o sangue e de cantar ao ódio e à morte, no fundo Sweeney Todd é um filme de amor.

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Transformers

Fevereiro 1, 2008

Transformers? This is Sparta!!!  Michael Bay abandona o parceiro Joel Shumacher, e parte, com Spielberg, para uma nova forma de se reinventar sem perder sua maior característica: a capacidade de nos fazer amar seus exageros.

Perdoem-me o trocadilho do título, mas esse foi um dos filmes mais aguardados de 2006 e essa frase foi a única que me veio à mente para descrever o trabalho visual e toda o burburinho causado em torno de Transformers. Estou ciente de qualquer coisa que eu disser aqui é pura redundância, porém, nunca a redundância foi tão bem vinda para definir uma fita.

Tranformers conta a saga dos Autobots (mocinhos) liderados por Optimus Prime e Decepticons (vilões), comandados por Megatron, máquinas alienígenas altamente avançadas que lutam entre si. A história gira em torno do encontro da “All Spark”, uma espécie de fonte de poder que confere poderes ilimitados para quem a possuir. A partir dessa premissa, se desenvolvem histórias paralelas que tratam de apresentar os personagens principais e secundários.

Se vc pensou que pela 254.555.698.696 vez esse é mais um filme sobre o eterno embate entre o bem e o mal, vc acertou. Afinal Transformers é um “Michael Bay Movie”. E o que mais se pode esperar de um gênio incompreendido? Pois é! A Industrial Magic and Light  fez um trabalho de tirar o fôlego. Verdade é que a imaginação fértil de Bay e a genialidade de Spielberg nos levam a uma viagem onde sobram explosões, violência, exageros e clichês em todos os graus possíveis: frenético!

O roteiro cumpre seu papel e consegue deixar o espectador antenado à história, sem cansar, apesar das cenas de luta demoradas, do papo chato dos militares e da “politicagem” de alguns personagens. As melhores tiradas pertencem aos personagens Sam Witwikcky (Shia LaBeouf), John Turturo, Kevin Dunn e Julie White (Mr. e Mrs. Witwikcky) e claro, do impagável e sempre competente Bernie Mac. Guardadas as devidas proporções, é claro que não se pode esperar uma obra-prima, mas para o que se propõe, o filme é Sparta sim: Entretenimento em estado puro! Amem ou odeiem!