Posts de Janeiro, 2008

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O Gângster: A questão é o ponto de vista meu camarada!

Janeiro 28, 2008

Os primeiros segundos de “O Gângster” já mostram ao público o que esperar nos próximos 150m. Sem nenhum rastro de culpa, Frank Lucas põe fogo em um homem, sob o olhar atento e frio de seu Boss. E é assim que o veremos o resto da fita e compartilharemos de seu mundo particular e muito real.

A história de Frank Lucas (Denzel Washington) começa na Nova York dos anos 60. De motorista a braço-diretio de um chefão do crime organizado, ele consegue alcançar o posto de maior traficante de drogas da cidade, quando resolve ir direto à fonte e negociar pessoalmente a mercadoria. Sua vertiginosa ascensão acaba incomodando outros chefões locais, porém desafetos não são problemas para o homem que fez o seu próprio “sonho americano”. De outro lado, há a também ascensão do policial absurdamente honesto Richie Roberts (Russel Crowe). De paria ele passa a comandar uma força-tarefa especial antidrogas. E é aí que começa a queda de Lucas.

A honestidade gritante e sem dúvidas do policial Richie Roberts bate de frente com a realidade gritante e fria de Frank Lucas. Os embates morais e psicológicos travados pelos personagens principais traduzem bem o que o espectador sente: embora simpatize com “o lado negro da força”, representada pelos ternos bem cortados do traficante, por outro lado exige justiça, que é buscada com dignidade das camisas coloridas a amarrotas do oficial da lei. O bandido sofre a mesma humanização do mocinho, talvez porque os dois vivam sob um importante código de ética, jamais violado.

Durante toda a projeção veio á minha mente os clássicos do gênero: “Os Intocáveis”, “O Poderoso Chefão”, “Os Donos da Noite” e “Os Bons Companheiros”. Ridley Scott, apesar de ser um diretor difícil, cheio de manias e blá, blá, blá, sabe como ninguém contar uma história. E sabe fazer isso com muita classe. O capricho está em cada partícula do filme, já que Scott é um desses diretores que participa de todas as partes da concepção de seus projetos. Ponto para ele e sorte nossa!

Não por acaso “American Gangster” já nasceu fadado ao sucesso. O roteiro é um presente para qualquer ator. Aliás, Scott conseguiu reunir além das estrelas principais, um time do segundo escalão digno de primeiro: Armand Assant, Cuba Gooding Jr, Chiwetel Ejiofor e Josh Brolin. Falar de Denzel Washington e Russel Crowe é cair na redundância. Enquanto o primeiro prova que talento é mais que um rosto bonito, o segundo mostra que um rosto bonito ajuda, mas não é tudo.

Washington é um ator inegavelmente talentoso e também inteligente. Poucos sabem escolher seus papéis com tanta clareza. Já Crowe é um cara difícil de engolir, mas sempre imprimiu a todos os seus personagens (exceto em Prova de Vida) um algo a mais, que o faz um grande profissional. Esta é a sua quarta aventura com Scott, uma parceria que tem dado frutos saborosos. Por que cargas d’água Ridley Scott não pode ser sempre um diretor 100%? A gente agradece!

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Eu sou a lenda

Janeiro 26, 2008

Quando se assiste a “Eu sou a lenda” as comparações ou pelo menos, as lembranças com “Náufrago”, são inevitáveis. Assim como o personagem de Tom Hanks, Neville vive sozinho e cria até mesmo uma realidade paralela para não enlouquecer: a cadela Sam é o Wilson e também seu principal amigo, mas as semelhanças acabam por aí. A missão do cientista é mais moral e até mais obsessiva. Enquanto um busca a liberdade, o outro se volta à redenção.

Após um poderoso vírus dizimar mais da metade da população do mundo, apenas um homem vive em Nova York. Imune, Robert Neville (Will Smith) é um cientista que passa os seus dias tentando encontrar a cura. Por três anos vivendo apenas em companhia da cadela Sam, Neville passa os dias em uma rotina que se resume a andar pela cidade deserta, caçar comida e enviar mensagens de rádio à espera que alguém o ouça e entre em contato.

Mutantes chamados de “Cavaleiros das Trevas”, vivem à espreita, na sombra, à espera da carne do sangue dos humanos que ainda vivem imunes como o cientista. Verdadeiras aberrações, eles se comportam guiados apenas pelo instinto animal: o de sobrevivência na selva de pedra devastada.

Will Smith foi a escolha perfeita para o papel do cientista obcecado pela restituição da espécie humana. A identificação do público com o ator só melhora a simpatia pelo personagem e o que ele representa. Aliás, Smith conseguiu o que todo ator negro quer: respeito da crítica e do público, ou seja, prestígio. Seu amadurecimento profissional é incrível. Outro destaque alardeado da trama é a “atriz” Alice Braga. Eu, particularmente, a acho um pepino, mas parece que a moça conseguiu agradar à crítica especializada.

Umas das produções mais esperadas do ano prima por um roteiro que embora não traga nenhuma relevância a mais que as obras anteriores do gênero, é bem amarrado e prende o espectador em uma ansiedade crescente, apesar de alguns surtos inverossímeis. “Eu sou a lenda” é a terceira adaptação homônima do escritor Richard Matheson. Originalmente uma história de terror, a ficção científica leva à reflexão sobre um ponto: o uso responsável das descobertas genéticas.

“Eu sou a lenda” é um filme bacana, pipocão, feito para faturar, mas consegue ir além. Boa pedida na telona!

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Meu nome não é Johhny: Interessante

Janeiro 25, 2008

“Meu nome não é Johhny” tem um trunfo chamado Selton Mello. O ator não precisa mais provar nada para ninguém, mas seu faro para escolher projetos só reforça o que todo mundo já sabe: Ele é muito bom no que faz!

Histórias reais sempre chamam a minha atenção e o caso de João Estrella já tinha despertado a minha curiosidade anos atrás, em um trabalho de faculdade. O filme “Meu Nome Não é Johnny” conta a história de João Guilherme Estrella, playboy que virou traficante nos anos de 80 e 90.

João era um garoto de classe média do Rio que acabou se envolvendo com o universo das drogas sem muitas pretensões. Com o objetivo de curtir a vida sem limites, ele parecia não ter a noção da transformação pela qual passava. E foi desse jeito displicente, irresponsável e totalmente louco, que logo se tornou o maior vendedor de cocaína da cidade.

João nunca fez nenhum tipo de investimento com o que faturava. Ele só torrava dinheiro em viagens e baladas, fazendo o que dava na telha, vivendo a mil por hora e indo sempre além… Embora não soubesse o que isso significava realmente. E foi assim, nesse ritmo descontrolado ele descobriu que atrás do arco-íris nem sempre existe um pote de ouro. Em 1995, João foi preso e percebeu que não fez um negócio tão bom assim com a sua vida.

Transitando entre a comédia e o drama, “Meu nome não é Johhny” consagra Selton Mello definitivamente como uma dos maiores nomes do nosso cinema. Talvez sem ele, o filme passasse despercebido, esquecido mesmo, em uma época em que chovem blockbusters nas salas de cinema. Selton é um ator versátil e possui um forte lado cômico, responsável por fazer o público rir quando não deveria o que tornou o filme mais leve em momentos críticos.

Mauro Lima fez uma direção bastante competente e escalou um elenco que dá conta do recado, apesar de um tropeço aqui e acolá. Soube conduzir o moralismo na fita, de uma forma que não ficou chato, mas que também não disso muito. Referências pop também não faltam, retratadas no estilo de vida, nas festas e no jeito do protagonista e seus amigos.

Curioso, irreverente e inteligente… No final, o saldo da fita é positivo. Uma das melhores coisas que o cinema brasileiro produziu em 2007.

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O Suspeito

Janeiro 14, 2008

Um atentado à bomba no Egito dá início à trama de O Suspeito (Rendition). O incidente implica em uma desordem na vida do agente Douglas Freeman (Jake Gyllenhaal), do engenheiro químico egípcio Anwar El-Ibrahimi (Omar Metwally) e do oficial chefe da polícia local, também egípcio, Abasi Fawal (Yigal Naor).

Suspeito do atentado, Anwar é tido como principal suspeito pela CIA e sob ordens da Secretária de Estado Corrine Whitman (Meryl Streep) é detido no aeroporto após uma viagem de negócios. Ele é vítima da lei da “Rendição Extraordinária”, em que suspeitos são deportados para interrogatório em seu país de origem.

Começa então a corrida de Isabella Fields El-Ibrahimi (Reese Witherspoon) para encontrar o marido. Ela pede ajuda a um antigo amigo que atua no Congresso Americano (Peter Sarsgaard) e que acaba por bater de frente com a poderosa Whitman, aliás, em um diálogo já antológico, digno de aplausos.

Baseado em uma história real, “O suspeito”, do sul-africano Gavin Hood, vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro por Tsotsi em 2006, fala sobre a paranóia dos EUA quando o assunto é terrorismo e coloca em pauta a discussão sobre o trabalho de autoridades como a CIA.

O Suspeito abre uma discussão válida sobre conflitos morais, poder, tortura, fanatismo e terrorismo. O roteiro primoroso e as atuações de Jake Gyllenhaal Meryl Streep e Peter Sarsgaard imprimem uma veracidade que dignifica a história e seus personagens. Imperdível!

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Diário de uma Babá: Influências WoodyAllenianas?

Janeiro 13, 2008

Sempre tive um pé atrás com Scarlett Johansson, mas acho que dessa vez vou ter que me render. Além do ótimo timming para a comédia, ela dá o recado direitinho nesse longa feito para toda a família.

Annie Braddock é uma jovem recém-graduada no colegial que ainda meio perdida com as novas responsabilidades da vida adulta, decide trabalhar como Babá na casa de uma família rica em Park Avenue, rua luxuosa de Nova York. Mas nem tudo sai programado. Annie acaba de entrar em um mundo que nem imaginava e se envolve em mil confusões com Madame e Mister X (Laura Linney e Paul Giamatti), o fedelho Grayer (Nicholas Art) e o “Gatão de Harvard” (Chris Evans), tudo isso dentro de uma inteligente e divertida analogia.

Descontando-se os clichês, as “licenças poéticas” e o inverossímel dos filmes do gênero, “O Diário de uma Babá” ganha pontos no roteiro. As sátiras, usadas aos montes, tornam as cenas mais leves e realmente divertidas. As aflições da personagem Annie são sempre analisadas do ponto de vista antropológico e o espectador é levado de forma despercebida, a concordar com as observações da moça. A referência à maior Babá de todas, Mary Popins, apesar de gratuita, também não compromete em nada e de quebra, ainda somos premiados com falas que lembrar os filmes de Woody Allen. Ai, ai…

“O Diário de uma Babá”  não é nunhuma obra-prima e nem se propõe a isso. Johansson ainda não é uma grande atriz, mas fez o dever de casa muito bem e imprime ao seu personagem o lado divertido necessário à trama. O sempre ótimo Paul Giamatti dá show como Mr. X e Laura Linney mostra, mais uma vez, pq é uma das melhores atrizes do cinema. O destaque fica para a cantora Alicia Keys, que ao que tudo indica, parece ter talento também para atuar.

Divertido e inteligente, O Diário de uma Babá vale o ingresso. Garantido!

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Encantadaíssima

Janeiro 11, 2008

De tempos em tempos aparece um filme capaz de agradar crianças e adultos. Mas “Encantada” não é uma fita infantil e também não é uma fita adulta.

O trunfo da produção da Disney foi pegar uma das histórias mais manjadas da face da terra e adaptá-la ao mundo real: um pouco de Sex and The City aqui, um pouco de números musicais super elaborados acolá e pronto: Sucesso garantido: de crítica e bilheteria!

Banida do mundo encantado pela perversa Rainha Narissa (Susan Sarandon) de a princesa Giselle (Amy Adams) acaba conhecendo a Manhattan dos dias atuais, um local completamente diferente de onde vivia. Com a ajuda de Robert (Patrick Dempsey) e de sua filha, ela busca voltar ao seu reino para casar com o príncipe Edward (James Marsden). O problema é que Giselle acaba descobrindo que está apaixonada por Robert, ao mesmo tempo em que Edward chega na cidade para resgatá-la.

Ao misturar personagens reais com animações, a Disney acerta em cheio. Impossível não relembrar as histórias de conto de fadas. Mas também não faltam cenas de ação, comédia e muito romance. Os números musicais são um espetáculo à parte, aqueles momentos Broadway sempre presentes nos filmes do estúdio. Destaque para as trapalhadas do píncipe Edward e seu fiel escudeiro Nathaniel (Timothy Spall).

No final, Encantada tem seu “Felizes para sempre”, com os clichês e lições de moral. Só que tudo bem moderninho… E engraçado!

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Conduta de Risco: Chato e entediante…

Janeiro 4, 2008

Eu não sei se sou eu ou se sou eu. O fato é que os filmes de George Clooney estão ficando meio chatos. O que será que está acontecendo com um dos atores mais bacanas do cinema?

“Conduta de Risco” é um choque e isso não é uma coisa boa. Até agora eu estou meio sem entender o que aconteceu. Será que é pq nada aconteceu e eu estou esperando até agora? Alterações de à parte, pensando bem talvez esse seja mais um daqueles longas hiper inteligentes estilo David Lynch, onde nada é o que aparenta e ao mesmo tempo é.

Michael Clayton (George Clooney) é um homem misterioso que trabalha numa das maiores firmas de advocacia de Nova York. Seu trabalho? Consertar os erros dos clientes, ou seja, seu trabalho é o trabalho sujo. Clayton quer deixar o emprego e voltar a atuar como Promotor, mas as dívidas de jogo, o divórcio e um mal sucedido investimento o deixam na pior. Escalado para mais um job, ele entra em conflito com as regras e decide mudar o jogo.

Apesar dos ótimos Tom Wilkinson e Tilda Swinton, “Conduta de Risco” não empolga. Tudo bem que a luta interna de Clayton é o pano de fundo apenas para algo maior, no caso a sua mudança de conduta, mas para um papel dessa dimensão, Clooney não foi a aposta mais apropriada, pq nem sempre o carisma segura um longa. Suas expressões e maneirismos colaboraram, e muito, para que este seja um dos filmes mais chatos de 2007. Nem nomes como Sidney Pollack e Warner salvam Conduta de Risco.

George Clooney saiu do ostracismo para uma carreira brilhante na TV através do ótimo seriado E. R. Nunca um ator fez tão bem a transição telinha/telona. Desde então, ele tem alternado comédias, dramas e romances açucarados na medida certa. Depois de ter faturado um Oscar com Syryana (outro filme chato), parece que Mr. Clooney só quer mesmo ser um ator respeitável.

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Sem expectativas

Janeiro 3, 2008

Existem obras que nunca devem ser tocadas, pois são de tão forma idealizadas que na transposição perdem algo: perdem seu sabor, algo que a faz única, incomparável e eterna. Apesar de competente, a adaptação de Mike Newell não empolga.

Alternando momentos de extremo sentimentalismo com outros de extremo pieguismo, “O amor nos tempos do Cólera” nos dá uma visão geral da história de amor de Florentino Ariza (Javier Bardem) e Fermina Daza (Giovanna Mezzogiorno). Jovens, ingênuos e apaixonados, vivem a trocar juras de amor através de cartas. O problema é que o pai da moça é contra esse relacionamento já que Firmino é de posição social inferior. Ao afastar o casal, tem início uma das maiores histórias de amor de toda literatura mundial.

Nem sempre um elenco extraordinário é o suficiente para fazer de um filme uma obra-prima. Esse é o caso da adaptação, que apesar da sensível direção de Mike Newell, o lugar comum tomou conta do longa que é pobre e nem de longe nos remete à magia do romance de Gabriel García Márquez. Os diamantes nascem brutos, mas alguns são perfeitos desse jeito.

O talento de Javier Bardem passeia pela trama, mas é apenas satisfatório. Seu personagem sofre transformações violentíssimas e em algumas dessas, não há nem sombra do maravilhoso ator de “Mar Adentro”. Fernanda Montenegro brilha nas poucas cenas em que aparece. A atriz Giovanna Mezzogiorno, que interpreta Femina Darza me pareceu uma escolha equivocada. É fraca e sem apelo.

A maquiagem, sofrível, conseguiu enfeiar Bardem e John Leguizamo (este maravilhoso como sempre). Dói pontos, entretanto, merecem destaque: a trilha sonora é fantástica, a fotografia encanta até os olhos mais insensíveis. O fato do filme ser em inglês ajuda a quebrar a aura de encanto que os fãs do autor esperavam. Inclusive eu!

Essa adaptação ficou devendo, tal como outras que a antecederam, mas não se trata de um filme feio ou mal elaborado. Simplesmente algumas coisas estão lá e outras não estão. O produtor do filme, Scott Steindorff, levou três anos até convencer o escritor Gabriel García Márquez a vender os direitos de adaptação de seu livro para o cinema. Talvez Márquez nunca devesse ter dito sim.

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O Passado: Imutável

Janeiro 2, 2008

Hector Babenco queria fazer um filme sensível. Sem dúvidas seu melhor trabalho, “O Passado” é passional e também um presente para o público e para o próprio Babenco.

Eu não sou cineasta, mas costumam dizer por aí que um roteiro intenso e ao mesmo tempo inteligente é algo raro. Como espectadora, devo concordar. Poucas vezes nos deparamos com histórias realistas e tocantes. E embora o amor, que é o tema desse filme, já tenha sido discutido milhões de vezes e de milhões de formas diferentes, aqui, a “saga” de “O Passado” é cruel e tão intensa quanto o amor que move seus personagens.

Um dos trunfos do filme é o ator espanhol Gael Garcia Bernal, que faz o papel do tradutor Rimini, que ao se divorciar após 12 anos de convívio, dá início a uma série de acontecimentos que culminam em paixão, morte, desespero, paranóia e redenção em variações de tempo que vão da calmaria à tempestade total. Talvez o ponto central da trama de Babenco seja a personagem Sofia, primeira esposa de Rimini, já que sua loucura é protagonista dos momentos mais críticos da vida do rapaz.

A forma como os embates psicológicos e a eterna luta travada pelo tradutor – consigo mesmo – é de uma maestra sensibilidade. Gael imprime a seu personagem a carapuça do homem dividido e cheio de conflitos. Sua passividade e permissividade é intolerável e responsável pela sua decadência. Suas mulheres beiram à loucura, embora de formas diferentes. O Passado persegue Rimini e não passa, e se repete, até conduzí-lo a uma redenção que se pelo menos não é a ideal, nos faz pensar e rever acerca da nossa passionalidade frente a ele. Mais passional? Impossível!