Os primeiros segundos de “O Gângster” já mostram ao público o que esperar nos próximos 150m. Sem nenhum rastro de culpa, Frank Lucas põe fogo em um homem, sob o olhar atento e frio de seu Boss. E é assim que o veremos o resto da fita e compartilharemos de seu mundo particular e muito real.

A história de Frank Lucas (Denzel Washington) começa na Nova York dos anos 60. De motorista a braço-diretio de um chefão do crime organizado, ele consegue alcançar o posto de maior traficante de drogas da cidade, quando resolve ir direto à fonte e negociar pessoalmente a mercadoria. Sua vertiginosa ascensão acaba incomodando outros chefões locais, porém desafetos não são problemas para o homem que fez o seu próprio “sonho americano”. De outro lado, há a também ascensão do policial absurdamente honesto Richie Roberts (Russel Crowe). De paria ele passa a comandar uma força-tarefa especial antidrogas. E é aí que começa a queda de Lucas.
A honestidade gritante e sem dúvidas do policial Richie Roberts bate de frente com a realidade gritante e fria de Frank Lucas. Os embates morais e psicológicos travados pelos personagens principais traduzem bem o que o espectador sente: embora simpatize com “o lado negro da força”, representada pelos ternos bem cortados do traficante, por outro lado exige justiça, que é buscada com dignidade das camisas coloridas a amarrotas do oficial da lei. O bandido sofre a mesma humanização do mocinho, talvez porque os dois vivam sob um importante código de ética, jamais violado.
Durante toda a projeção veio á minha mente os clássicos do gênero: “Os Intocáveis”, “O Poderoso Chefão”, “Os Donos da Noite” e “Os Bons Companheiros”. Ridley Scott, apesar de ser um diretor difícil, cheio de manias e blá, blá, blá, sabe como ninguém contar uma história. E sabe fazer isso com muita classe. O capricho está em cada partícula do filme, já que Scott é um desses diretores que participa de todas as partes da concepção de seus projetos. Ponto para ele e sorte nossa!
Não por acaso “American Gangster” já nasceu fadado ao sucesso. O roteiro é um presente para qualquer ator. Aliás, Scott conseguiu reunir além das estrelas principais, um time do segundo escalão digno de primeiro: Armand Assant, Cuba Gooding Jr, Chiwetel Ejiofor e Josh Brolin. Falar de Denzel Washington e Russel Crowe é cair na redundância. Enquanto o primeiro prova que talento é mais que um rosto bonito, o segundo mostra que um rosto bonito ajuda, mas não é tudo.
Washington é um ator inegavelmente talentoso e também inteligente. Poucos sabem escolher seus papéis com tanta clareza. Já Crowe é um cara difícil de engolir, mas sempre imprimiu a todos os seus personagens (exceto em Prova de Vida) um algo a mais, que o faz um grande profissional. Esta é a sua quarta aventura com Scott, uma parceria que tem dado frutos saborosos. Por que cargas d’água Ridley Scott não pode ser sempre um diretor 100%? A gente agradece!










